Após libertação, Fabio Hideki participa de assembleia na USP

Estudante e servidor da USP apareceu em público pela primeira vez desde que foi solto, na quinta-feira passada

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

11 Agosto 2014 | 20h27

Atualizado dia 12, às 10h40, com mais informações. 

SÃO PAULO - O estudante e servidor da Universidade de São Paulo (USP), Fabio Hideki, apareceu ontem em público pela primeira vez desde que saiu da prisão, na quinta-feira passada. Ele foi à assembleia de funcionários da instituição, no vão livre do prédio do curso de História da USP. 

No evento, os funcionários discutiam os pontos de continuação da greve contra a falta de reajuste de salários para professores e funcionários da USP. Hideki foi recepcionado com fogos e aplausos. Os funcionários da universidade gritavam “Hideki é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”.

O estudante agradeceu às pessoas que o ajudaram no período em que esteve preso e disse que o apoio foi fundamental para a soltura dele. Disse ainda que não poderia citar todos os nomes, para não ser injusto. E agradeceu especialmente aos advogados que o ajudaram em sua soltura e que estão trabalhando para a soltura de outros manifestantes ainda presos. 

Receoso, Hideki disse que teria “cuidado” em seu primeiro discurso público. No ato, ainda deu a entender que havia policiais à paisana, em busca de informações sobre ele. “Vocês sabem que, se deixar, eu falo muito, mas eu vou tomar cuidado, pois eu sei que isso aqui é uma declaração pública. Antes de mais nada, eu queria dar um tchau para os P2 (policiais do setor de inteligência da Polícia Militar)”, disse. “Os P2 estão doidos para anotar o que eu estou falando.”

Liberdade. Hideki foi libertado na quinta-feira, após 45 dias de prisão. Ele e o professor de inglês Rafael Lusvarghi, de 29 anos, foram detidos no dia 23 de junho em uma manifestação na Avenida Paulista, no centro, sob a acusação de “porte de explosivos, associação criminosa e incitação à depredação do patrimônio público”. No entanto, laudos do Instituto de Criminalística e do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) mostraram que os artefatos achados pela Polícia Civil com os dois não eram explosivos.

Na quinta, o juiz Marcelo Matias Pereira, da 10.ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, entendeu que a falta de comprovação de que eles portavam explosivos “fragilizou” a necessidade de manter a dupla encarcerada e eles foram libertados. 

Greve. Na assembleia, os funcionários votaram pela continuação da greve na universidade. Eles afirmaram que terão uma reunião na próxima quarta-feira com o reitor da USP, Marco Antonio Zago, para negociar a devolução dos salários cortados pelos dias de paralisação. Eles agendaram ainda um ato público, na quinta-feira, que deve ir da Cidade Universitária, no Butantã, na zona oeste, até o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona sul.

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