Após invasão de hotel, reservas são canceladas

73 agendamentos para o Intercontinental, no Rio, foram retirados, apesar de o policiamento ter sido reforçado ontem na região de São Conrado

Marcia Vieira , Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

Tranferência. Nove traficantes foram levados para o Complexo Penitenciário de Bangu  

 

 

 

 

Um dia depois do confronto entre traficantes e policiais, que terminou com a invasão do Intercontinental, onde 35 pessoas foram feitas reféns, o hotel de luxo teve 73 cancelamentos de reservas, entre desistências de hóspedes que estavam por chegar e a saída adiantada daqueles que pretendiam passar mais alguns dias no Rio.

Nem o reforço do policiamento em São Conrado, bairro da zona sul do Rio, levou tranquilidade àqueles que ficaram sob as armas dos criminosos ou trancados em seus quartos por cerca de três horas. A assessoria de Imprensa do Intercontinental informou que não foi oferecida nenhuma compensação financeira aos cinco hóspedes que foram mantidos reféns, ao lado de 30 funcionários. Essas pessoas estariam recebendo "atenção especial" da direção do hotel.

Patrulhamento. A meia maratona do Rio, que passa em São Conrado, ao lado do Intercontinental, transcorreu sem incidentes. Durante o dia, carros da PM patrulharam o bairro. Vans foram paradas e fiscalizadas pelos policiais. Não houve novos confrontos. Nove traficantes da Favela da Rocinha, presos após invasão do Hotel Intercontinental, em São Conrado, no Rio, na manhã de sábado, foram transferidos ontem para o Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste. Outro dos invasores, que ontem completou 16 anos, foi encaminhado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Os traficantes não quiseram prestar nenhum depoimento na delegacia. Decidiram só falar em juízo. Eles foram indiciados por tráfico de drogas, porte ilegal de armas, sequestro e cárcere privado.

Um suspeito, Jonatan Costa Soares, está sob custódia da polícia no Hospital Miguel Couto, no Leblon. Ele foi preso quando seguia em uma ambulância na Penha. Segundo a polícia, a ambulância havia sido roubada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Rocinha, depois do tiroteio entre policiais e traficantes. Jonatan estaria indo para o Hospital Getúlio Vargas, na zona norte.

Imagens divulgadas pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e transmitidas pela GloboNews mostram o momento em que os dez homens foram presos no Intercontinental. Os criminosos aparecem dominados, com as mãos para trás da cabeça. Um deles pede: "Não precisa esculachar, não".

Os homens deixaram o hotel sem camisetas. Enquanto caminhavam, um policial explicava que as roupas seriam devolvidas depois. Um policial do Bope tenta acalmá-los. "Rapaziada, tranquilo. Fica tranquilo."

Líder do tráfico. O conflito, que levou pânico aos moradores do bairro de classe média alta, começou quando um grupo de bandidos da Rocinha voltava de um baile funk na Favela do Vidigal, comunidade próxima, e foi interceptado por PMs, em São Conrado. Uma mulher morreu no conflito e quatro PMs ficaram feridos.

Segundo a polícia, Adriana Duarte de Oliveira dos Santos, de 41 anos, fazia parte do bando e era responsável pela contabilidade do tráfico. Com o grupo, que manteve 30 funcionários e cinco hóspedes do hotel presos na cozinha por mais de uma hora, foram apreendidos oito fuzis, cinco pistolas e três granadas. A polícia do Rio ainda investiga se o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, estava entre os bandidos. Câmeras do Hotel Intercontinental e dos condomínios próximos estão sendo analisadas para tentar identificá-lo.

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