Após início tímido, SP prevê ter 50 mil estudantes em tempo integral em 2014

Rede pública. Estado conseguiu que mais 101 escolas assumissem o programa; com isso 170, das 300 unidades previstas no começo do projeto em 2012, terão alunos que ficam pelo menos 8h30 nas salas, ao lado de professores que atuam com dedicação exclusiva

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2013 | 02h03

Depois de ter dificuldades no ano passado para expandir o novo modelo de tempo integral nas escolas estaduais, o governo de São Paulo conseguiu que mais 101 unidades assumissem o programa para 2014. Com as adesões, a modalidade vai chegar a 50 mil alunos em 170 unidades - mas longe da meta inicial, que era alcançar 300 escolas. Segundo a Secretaria da Educação, isso só deve ocorrer em 2015.

A implementação depende de adesão de alunos, pais e professores. O modelo prevê a jornada de oito horas e meia no ensino fundamental e de nove horas e meia no médio. Os professores passam a ter dedicação exclusiva à escola, recebendo bonificação de 75% sobre o salário. Já os alunos, além do currículo tradicional, passam por matérias eletivas, que vão de prática de ciências à moda.

Mais tempo na escola e dedicação exclusiva, aliás, mostraram-se como barreiras para a expansão. No ensino médio, por exemplo, muitos alunos precisam trabalhar. Na outra ponta, professores recusam a dedicação exclusiva por terem dupla jornada em outras escolas.

Responsável pela implementação do modelo, Valéria de Souza, da Secretaria Estadual da Educação, explica que selecionar as escolas exige análise criteriosa. "A escola tem de ter espaço adequado e também unidades próximas que possam receber alunos que não quiserem ficar no integral", diz. "Mas o importante é não impor."

A rede estadual tem hoje dois modelos de tempo integral. O primeiro, criado em 2006, no mandato anterior do governador Geraldo Alckmin (PSDB), foi imposto de uma vez em 500 escolas de ensino fundamental. Depois do registro de vários problemas, como falta de materiais e espaços, o Estado foi diminuindo o número de escolas e planeja abandoná-lo.

No ano passado, 21 escolas migraram do modelo velho para o novo. Das 101 que adotarão o programa no ano que vem, 36 vão fazer essa migração (mais informações nesta página).

Integral. A dedicação exclusiva do professor é apontada como o grande diferencial entre os modelos. Isso porque evita a divisão entre as disciplinas tradicionais e o conteúdo diversificado. Também elimina as aulas vagas. "Minha antiga escola tinha muita aula vaga, mas agora sempre tem alguém. Até os alunos podem ajudar", diz Mariana Alves, de 15 anos, aluna da Escola Estadual Prefeito Nestor de Camargo, em Barueri. A unidade foi uma das 16 primeiras a receber a nova modalidade em 2012.

O progresso do modelo é visível nessa escola. Música na hora do intervalo, fila organizada para o almoço e bom relacionamento entre alunos e professores. Felipe Araújo, de 17 anos, diz que quando chegou, em 2012, achava chato e cansativo. "Mas a gente foi inovando, criamos essa quadra de vôlei no pátio, tem gente que traz o violão. Faz com que passar 9 horas aqui não seja cansativo", diz ele,

O diretor Dário Pinheiro diz que a "parte diversificada não é diversão, mas é muito prático, não é chato". "A aposta é no protagonismo juvenil, o aluno participando de tudo."

Segundo Valéria de Souza, da Secretaria Estadual, parte das 53 escolas que aderiram ao modelo no ano passado ainda passa por adaptações. O governador já indicou que planeja levar tempo integral para todas as 5 mil escolas do Estado. Hoje, a meta mais ampla a longo prazo é de um terço da rede no modelo.

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