Após incêndio em favela, CET interdita avenida na zona sul

Muro que cerca a favela do Jardim Edith será demolido; incêndio deixou entre 70 e 80 famílias desabrigadas

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

05 de setembro de 2007 | 09h31

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) interditou às 9 horas desta quarta-feira, 5, o trecho da Avenida Jornalista Roberto Marinho, junto à Rua Guaraiúva, onde um incêndio atingiu a favela do Jardim Edith, na manhã de terça-feira, 4. A pista no sentido Marginal do Pinheiros foi fechada próximo à Avenida Luís Carlos Berrini. A interdição é para que o muro que cerca a favela seja demolido. O incêndio deixou entre 70 e 80 famílias desabrigadas; três pessoas sofreram ferimentos leves. O Corpo de Bombeiros ainda não sabe as causas do incêndio. A favela fica na esquina das Avenidas Luís Carlos Berrini e Roberto Marinho, área cobiçada pelo mercado imobiliário. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) esteve no local e foi alvo de críticas de moradores. O fogo começou num barraco no meio da favela e se espalhou rapidamente. Foi controlado em meia hora por 35 bombeiros e causou destruição em 400 metros quadrados. "A área do incêndio foi pequena, mas cada barraco tinha de dois a três andares, o que dificultou o combate ao fogo porque há risco de desabamento", disse o capitão dos bombeiros Luiz Carlos Freire. Segundo ele, a tragédia não foi maior porque as residências ao redor eram de alvenaria. Os moradores entraram em pânico, tentando salvar seus bens. "Perdi tudo: geladeira, fogão, TV, roupas e documentos", disse a desempregada Maria do Desterro Ferreira Costa, de 28 anos, que morava sozinha no último andar de um barraco de quatro pavimentos. Cobrança Moradores cobraram de Kassab ações para a remoção deles para um local mais seguro. Em 2006, segundo eles, o então prefeito José Serra (PSDB) esteve na favela após um incêndio e prometeu medidas para melhorar a vida deles. "Dia de eleição aparece todo mundo, mas Prefeitura nenhuma fez nada por nós", disse Lucy dos Santos Diogo, de 40 anos. Kassab disse que os desabrigados serão incluídos no programa Aluguel Social e receberão R$ 300,00 por seis meses. O secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, afirmou que a Prefeitura doou colchões, cestas básicas, kits de higiene e marmitex e ofereceu abrigo nos próximos dias no Espaço Cancioneiro, a 500 metros da favela, na alça de acesso à Marginal do Pinheiros, com 150 vagas. O secretário de Habitação, Orlando Almeida, também defendeu a desocupação. Segundo ele, a remoção deve ser feita com cautela para não prejudicar os moradores. O local para onde serão levados, porém, não foi definido. "O que se pretende é atender essas famílias, seja na CDHU ou com habitações da Caixa Econômica Federal." O presidente da Associação de Moradores do Jardim Edith, Geroncio Henrique Neto, defendeu a permanência dos moradores desde que sejam construídas moradias adequadas. "Mas sabemos que estamos numa área nobre e querem que a gente saia." Ele descartou a hipótese de incêndio criminoso. "Ninguém de fora conseguiria entrar na favela."

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