Após habeas-corpus, pai de Isabela deixa delegacia

Segundo policiais, Alexandre Alves Nardoni deixou o 77º DP pelos fundos

11 de abril de 2008 | 14h37

A polícia montou uma estratégia de segurança para libertar Alexandre Alves Nardoni, pai da menina Isabella de Oliveira Nardoni. Ele foi colocado em liberdade após o desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida conceder habeas-corpus em liminar contra a prisão temporária dele e de sua mulher, Anna Carolina Trotta Jatobá. Eles são apontados como suspeitos de participar da morte da menina Isabella.   VEJA TAMBÉM A tragédia, as dúvidas e contradições do caso Escute por que crimes assim comovem a sociedade Tudo o que já foi publicado sobre o caso Isabella    Com o intuito de despistar cerca de 300 pessoas que estavam na entrada do 77º Distrito Policial (Santa Cecília), os policiais primeiro utilizaram uma pessoa encoberta por um cobertor. Após a viatura sair em alta velocidade, pela outra entrada da delegacia, o pai da menina Isabella deixou a delegacia, seguindo para o Instituto Médico Legal, onde fez o exame de corpo de delito.   Ele estava detido desde quinta-feira da semana passada por ser suspeito de envolvimento com a morte da filha, Isabella, de 5 anos. Já Anna Carolina está presa no 89º DP, no Morumbi, na zona sul da cidade, e também deve ser colocada em liberdade nesta sexta-feira. Isabella morreu no dia 29 de março, ao cair do sexto andar do prédio onde o casal mora com os dois filhos.   Em sua decisão o desembargador alegou, entre outros motivos, que a prisão temporária é uma medida excepcional, tolerada apenas nas hipóteses precisamente fixadas em lei, imperiosa à apuração da autoria do fato criminoso e à produção de provas que se tornariam inviáveis com os investigados em liberdade.   Canguçu de Almeida argumentou também que Alexandre e Anna Carolina não deram, até o momento presente, prova alguma de comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos. Tanto que nem a autoridade policial nem o magistrado que decretou a prisão indicaram fatos que pudessem caracterizar quaisquer das condutas mencionadas acima. O fato de os investigados se apresentarem espontaneamente, poucas horas depois da decretação da prisão temporária, também foi levada em consideração pelo desembargador em sua decisão.   Alexandre e Anna Carolina tiveram a prisão temporária decretada no último dia 2/4 pelo juiz Mauricio Fossen, da 2ª Vara do Júri de Santana, atendendo a pedido do delegado que preside o inquérito e do Ministério Público, e se apresentaram no dia seguinte no Fórum de Santana.   Investigações   Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) já sabem que Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá trocou de blusa na noite da morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, no último dia 29. Quando chegou ao prédio, ela usava um blusa preta. Depois do crime, ela estava com uma blusa verde-água. Os policiais encontraram manchas semelhantes a sangue tanto na calça jeans que a madrasta usava como na blusa. Todas as testemunhas são unânimes em dizer que Anna Carolina não se aproximou de Isabella depois da queda do sexto andar do Edifício London, na zona norte de São Paulo.   Os peritos suspeitam que a blusa foi lavada depois do crime. Uma análise química dos fios do tecido será feita para averiguar essa suspeita. As manchas achadas, ainda segundo os peritos, são compatíveis com o cenário de alguém que carregasse a menina no colo. Sabe-se que o sangue no chão do apartamento é resultado de pingos que caíram de uma altura de pouco mais de um metro.   Os peritos buscam, por meio do exame de DNA, verificar se o suposto sangue encontrado na blusa e na calça é mesmo da madrasta. Eles estão seqüenciando o material genético de Isabella a fim de estabelecer o padrão e poder compará-lo com o padrão das amostras de substâncias semelhantes a sangue recolhidas no apartamento e nas roupas apreendidas.   Na quinta-feira, 10, os policiais do 9º DP ouviram novamente o depoimento de Anna Carolina na carceragem do 89º DP (Portal do Morumbi), onde ela está detida. Os investigadores do caso estão atrás de um sapato de Anna Carolina ou do consultor jurídico Alexandre Nardoni, pai de Isabella, para comparar com a pegada encontrada no lençol da cama do quarto de onde a menina foi jogada.   Testemunhas     Duas testemunhas disseram ter escutado de Cristiane Nardoni, irmã de Alexandre, na noite de 29 de março, uma frase que compromete o irmão como se ele tivesse feito algo errado. Pouco antes, a menina Isabella havia sido atirada pela janela do apartamento do pai. Ouvidas em sigilo no 8º Distrito Policial (DP), as testemunhas são um caixa e um gerente de um bar na zona norte de São Paulo. Os dois contaram que viram Cristiane ansiosa para deixar a casa. Ela estava acompanhada pelo noivo, que pediu ao caixa que se apressasse. A irmã de Alexandre estava chorando. Foi quando ela teria deixado escapar a frase. Em entrevista, Cristiane negou que seu irmão tenha dito algo que o comprometesse na ligação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.