Hélio Torchi
Hélio Torchi

Após furtos no Itaim, crianças passam 7h em DP

Conselheira tutelar não foi achada e cinco menores suspeitos de atacar motoristas e furtar loja ficaram a noite toda em delegacia

Cristiane Bomfim, Gio Mendes Marici e Capitelli, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

Cinco crianças que furtaram uma loja de conveniência no Itaim-Bibi, na zona sul de São Paulo, passaram sete horas em uma delegacia ontem de madrugada por causa de uma falha no atendimento do Conselho Tutelar de Pinheiros, na zona oeste. Nesse intervalo, as crianças dormiram nos bancos e no chão do 14.º Distrito Policial (Pinheiros). O episódio é um exemplo da falta de estrutura dos conselhos tutelares na cidade.    

 

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O delegado que atendeu o caso, Armando Novaes, ligou para o celular do conselheiro de plantão, mas não conseguiu falar com ninguém. Duas horas depois, após consultar outros boletins de ocorrência envolvendo menores de idade, o delegado encontrou o telefone particular de outra conselheira.

As crianças foram levadas a abrigos às 6h, mas quatro fugiram no meio do caminho. A conselheira tutelar disse que o único celular do órgão estava com "problema de configuração".

As cinco crianças também são suspeitas de atacar motoristas no trânsito. A PM recebeu um chamado às 23h de anteontem sobre menores de idade fazendo um arrastão na Avenida São Gabriel. Policiais foram ao local e não encontraram nenhum motorista assaltado, mas uma das vendedoras da loja furtada avisou que um grupo de menores havia embarcado em um ônibus. Os PMs pararam o coletivo e apreenderam dois meninos e três meninas, com idades entre 10 e 11 anos. Com uma das garotas foram encontrados um par de tênis e uma blusa de moletom, levados do vestiário da loja de conveniência.

Durante esta semana, a reportagem esteve em alguns conselhos tutelares da cidade. No de Cidade Ademar, zona sul, o tempo de espera para atendimento era de no mínimo de duas horas. Na zona norte, descobrir o endereço do Conselho Tutelar da Vila Brasilândia era missão quase impossível. Na Subprefeitura da Freguesia-Brasilândia, ninguém sabia informar o endereço do órgão.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

João Santo Carcan, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA)

1.Queixas sobre condições de conselhos são frequentes. O que está sendo feito? Estas questões são de competência das subprefeituras. Nos reunimos há dois meses com o secretário Ronaldo Camargo e ele garantiu que está tomando providência.

2.Pais e associações afirmam que os conselhos não têm ação efetiva. Isso é verdade? Os conselheiros têm a função de garantir todos os direitos da criança e do adolescente. Eles (conselheiros) têm de intervir.

3.Os conselheiros são preparados para esta função? A questão não está na qualificação educacional, e sim na qualificação ética e cultural. Tem de ter compromisso com o que está fazendo e a população tem de saber em quem vota.

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