FELIPE RAU/ESTADAO
FELIPE RAU/ESTADAO

Após fracasso de bloqueios no trânsito, SP estuda rodízio de veículos para aumentar isolamento

A medida se faz necessária porque, segundo Covas, a cidade precisa que as pessoas atendam aos apelos para ficar em casa

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 20h00

Diante do insucesso nos bloqueios viários que a gestão Bruno Covas (PSDB) implementou na capital paulista para tentar aumentar as taxas de isolamento social na cidade, a Prefeitura deve agora impor, a partir da segunda-feira, 10, um novo tipo de rodízio para veículos a fim de desestimular as pessoas a saírem de casa. Ontem, a taxa de isolamento na capital ficou em 48%.

A medida se faz necessária porque, segundo Covas, a cidade precisa que as pessoas atendam aos apelos para ficar em casa, e só sair para atividades essenciais, o que não vem ocorrendo. Nesta quarta-feira, 6, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) chegou a registrar 24 quilômetros de congestionamentos na cidade às 19 horas.

“A gente estuda a possibilidade de retorno do rodízio, estuda a possibilidade de quais placas circulam durante o dia, se vai ser só no horário de pico ou no dia todo, se vai ser só no centro expandido ou na cidade como um todo. São várias as possibilidades que temos em cima da mesa e estamos analisando o impacto disso”, disse o prefeito, em entrevista à Globonews. 

Um dos aspectos avaliados é o impacto que a restrição à circulação de carros poderá trazer no transporte público, o que faria com que a Prefeitura tivesse de ampliar a oferta de ônibus para evitar aglomerações. “Aí a gente fala em um custo maior do sistema de transporte, aumento do subsídio (recurso que a Prefeitura repassa às empresas para ajudar a completar o custo dos sistema de transporte) que temos aqui na cidade." 

O modelo da nova restrição será anunciado até sexta-feira, 8, e vai valer já a partir da segunda. Covas ressaltou que os técnicos da área de saúde insistem que a Prefeitura estabeleça algum tipo de restrição à circulação para retardar a propagação do vírus, e voltou a afirmar que a opção pelo lockdown “é uma das opções na mesa”, sem descartar a necessidade de adoção da quarentena mais severa. 

A Prefeitura testou um modelo de bloqueio em quatro artérias viárias da capital, uma em cada região, nas pistas com sentido para o centro da cidade. Na segunda, apenas uma faixa de circulação foi liberada para o tráfego, levando a congestionamentos. Na terça, o bloqueio dessas vias foi total, e Prefeitura ampliou os bloqueios para seis endereços. O Ministério Público Estadual chegou a instaurar procedimento para apurar os efeitos da medida. 

Tanto na segunda quanto na terça-feira a taxa de isolamento social ficou em 48% na cidade. A taxa tida como ideal pelo governo do Estado para retardar o avanço do novo coronavírus é de 70%. Até esta quarta, 86% dos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) na região metropolitana estavam ocupados.

“As pessoas não entenderam o recado, não entenderam a mensagem, e portanto o bloqueio não surtiu o efeito necessário”, disse Covas, ao anunciar o recuo da medida e dizer que não tinha compromisso com o erro.

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