JB Neto/AE
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Após fechar bares, Diadema quer bailes funk só até 22h

Pioneira na lei seca, cidade agora prepara regras contra a desordem dos ''pancadões''

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2011 | 00h00

O barulho vem do topo de uma ladeira repleta de casinhas no bairro de Casa Grande, em Diadema, na Grande São Paulo. São 23h50 de sábado e uma força tarefa com policiais militares, guardas civis e fiscais da Prefeitura chega para acabar a festa. Nos fins de semana, ocorrem pelo menos quatro pancadões na cidade, balada funk em alto volume, com bebidas, drogas e barulho que não deixa os vizinhos dormir. Ao enxergar as sirenes, motos, carros de som e parte do público se dispersam rapidamente.

Depois de se tornar a primeira cidade a regulamentar o funcionamento dos bares antes das 23 horas, em 2002, Diadema volta a ser pioneira ao tentar enquadrar os pancadões. O projeto de lei já foi analisado pelo Conselho Municipal de Segurança e pelo colegiado de gestores de segurança na cidade. Aguarda aval jurídico para ser enviado à Câmara. "É preciso criar normas para evitar abusos. Os excessos criam conflitos e violência", diz o secretário de Defesa Social de Diadema, Arquimedes Andrade.

De acordo com o projeto, as festas só poderão ocorrer das 9 às 22 horas e deverão ser comunicadas com 20 dias de antecedência. A venda de bebidas destiladas será proibida e os eventos só poderão ter lugar em avenidas previamente definidas. Multas serão aplicadas aos proprietários de carros e organizadores de eventos que desrespeitarem os limites de decibéis definidos e as normas da legislação.

Segundo o secretário de Defesa Social, o objetivo é diminuir a sensação de desordem. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, Diadema vive situação curiosa. Neste primeiro semestre, ficou em 50.º lugar no ranking estadual de homicídio depois de passar quase todo os anos 1990 na primeira posição. Foram 7,2 casos por 100 mil habitantes. Em compensação, ocupa o primeiro lugar em roubos, com 1.122 casos por 100 mil.

Em São Paulo, os pancadões também acontecem em grande número nos fins de semana. Zonas sul e leste concentram as principais festas. A zona norte, que era outro bairro com grande frequência, passou a ter "operações-pancadão" da PM. Os batalhões acompanham por Twitter, Facebook e por denúncias as datas e locais dos eventos. Tentam antecipar-se e ocupar a área antes que se inicie a festa para evitar confusão. "Esse trabalho preventivo ajudou a reduzir os pancadões", afirma o capitão Ricardo Villalva, do 43.º Batalhão da Polícia Militar na zona norte, que pretende fazer uma monografia sobre o tema.

No posto. Na sexta-feira, no entanto, um pancadão ocorreu em posto de gasolina na beirada da Marginal do Tietê, no Limão, zona norte. Eram mais de 500 pessoas. Quando a PM chegou, frequentadores chegaram a fechar parte da Marginal para fugir.

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