Após 'exportar' haitianos, Tião Viana critica postura da elite paulista

'Como é que a elite paulista quer obrigar o povo do Acre a prender imigrantes haitianos em nosso território? Preconceito racial? Higienização?', critica o governador do Acre

Itaan Arruda, Especial para O Estado

24 Abril 2014 | 20h33

Atualizada às 22h14   RIO BRANCO - Após a secretária de Estado de Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloísa de Souza Arruda, ter classificado de "violação da dignidade" dos cidadãos haitianos o envio de imigrantes para a capital paulista nos últimos 15 dias, o governador do Acre, Tião Viana, questionou pelas redes sociais a postura "das elites preconceituosas" sobre o acolhimento. "Como é que a elite paulista, (sic) quer obrigar o povo do Acre a prender imigrantes haitianos em nosso território? Preconceito racial? Higienização?", disse o governador.

Viana lembrou, na postagem feita na tarde desta quinta-feira, 24, que passaram pelo Acre cerca de 20 mil haitianos nos últimos três anos. "Após mais de 3 anos da nossa ajuda humanitária, com apoio de alguns ministérios, quando 200 tiveram dificuldades ao passar em SP, o preconceito aparece. As elites preconceituosas querem o quê? Que prendamos essas pessoas?", questiona.

 

                                                                        Facebook/Reprodução

"O 'andar de cima' das elites, (sic) parece, mesmo, querer, em pleno séc. XXI, assegurar seu território livre de imigrantes do Haiti? Vamos recomendar-lhes a releitura de Martin Luther King...'I have a dream'", sugere o governante acriano.

O secretário de Desenvolvimento Florestal Edvaldo Magalhães foi escalado pelo governador para responder às críticas de assessores do governo paulista que acusaram o governo acriano de não planejar em conjunto o envio dos imigrantes. "Gastamos a nossa gordura política, não digo nem econômica. Agora, São Paulo, só porque recebe um contingente de 200 haitianos, faz uma chiadeira", disse o secretário.

"O Ministério da Justiça dizer que estamos facilitando é brincadeira. Se querem acolher, que o façam com dignidade. Se não, assumam o ônus de fechar a fronteira. Não dá para bancar o bonzinho diante da diplomacia internacional e aqui restringir a acolhida", afirmou o secretário acriano.

O Palácio dos Bandeirantes não comentou as declarações. Porém, ressaltou que a secretária Eloisa de Souza Arruda, em momento algum, questionou a vinda dos imigrantes.

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