José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Após endurecer com vândalos, SP tem protesto escoltado pela polícia

Universitários fecharam a Avenida Paulista, no sentido Paraíso, com motos, policiais com escudos e viaturas "envelopando" o grupo de manifestantes; black blocs compareceram sem máscaras

Bruno Paes Manso e Fábio Leite, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2013 | 22h47

SÃO PAULO - A Polícia Militar se preparou para uma guerra nesta quarta-feira, 9, em São Paulo. Logo na Avenida Paulista, quando a passeata fechou a via sentido Paraíso, motos, policiais com escudos e viaturas "enveloparam" o grupo de manifestantes, que foram cercados pelos lados, frente e trás. Policiais do Choque enchiam os corredores da Assembleia Legislativa, para onde os manifestantes se dirigiam. Depois de duas horas de caminhada, no entanto, os estudantes de USP, Unicamp e Unesp fizeram alguns discursos e se dispersaram de forma pacífica.

A ideia dos estudantes, após a decisão da Justiça que indeferiu a reintegração de posse da reitoria da USP (leia mais na página A26), é continuar nas ruas e no imóvel até que ocorra eleições diretas para reitor. "Foi a primeira vitória do movimento dos estudantes. A Justiça deu um recado claro que se trata de um movimento legítimo e democrático. E a reitoria tem de deixar de lado a intransigência e debater a nossa pauta", afirmou o Pedro Serrano, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP.

Havia muita tensão das autoridades e manifestantes com eventuais excessos nesta- quarta-feira, 9. Na segunda-feira, o protesto em apoio aos professores do Rio acabou em confronto, com lojas depredadas, uma viatura da Polícia Civil tombada pelos black blocs, 7 feridos e 11 detidos - 2 enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Na terça-feira, 8, o governo endureceu o discurso e prometeu fazer um único inquérito e processar manifestantes suspeitos de pertencerem aos black blocs por associação criminosa. Também liberou o uso de balas de borracha para reprimir manifestantes.

Ontem, alguns black blocs estiveram presentes na passeata, mas não vestiram as roupas pretas nem as máscaras. Líderes estudantis que organizaram o movimento criticaram publicamente a postura do grupo, como foi o caso de Arielli Tavares, da Juventude do PSTU e da executiva da Assembleia Nacional dos Estudantes, que discursou na frente da Assembleia. A expectativa é de que na sexta os black blocs saiam às ruas em apoio às manifestações do Rio.

Semelhanças. O evento de na quarta-feira, 9, começou no vão livre do Masp e teve características parecidas com as dos protestos de junho, liderados pelo Movimento Passe Livre. As batidas ritmadas da Fanfarra do Mal davam o ritmo das palavras de ordem, que pediam democracia na USP e atacavam o reitor João Grandino Rodas. "A reitoria eu vou ocupar e meu reitor decapitar", cantavam os estudantes.

A PM estimou em 300 o total de manifestantes. Para acompanhá-los, segundo o capitão Ronan, havia 200 homens, que não tiveram trabalho nenhum. "Os estudantes não estavam no propósito de tumultuar", disse. Dentro da Assembleia, no entanto, o efetivo era quase igual.

Na hora em que os manifestantes chegaram, por volta das 19h30, havia 66 homens do Choque espalhados pelos corredores e no estacionamento, enquanto no plenário se contavam 29 dos 94 deputados.

Os estudantes, que previam participar de uma audiência pública sobre a universidade no plenário da Assembleia, desistiram de entrar porque o governo não mandou representantes. Eles fizeram jograis falando sobre o sucesso da passeata e repetiram o slogan do MPL nos protestos pela redução da tarifa: "Amanhã vai ser maior."

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