RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
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Após embargo, obra de transposição da Billings volta a operar com 25% da capacidade

Desembargo feito pela prefeitura de Ribeirão Pires ocorreu em 9 de outubro, um dia após interdição, mas bombeamento de água só foi retomado nesta semana com vazão limitada a mil litros por segundo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2015 | 14h18

SÃO PAULO - Após ter sido embargada pela prefeitura de Ribeirão Pires por ter alagado ruas e imóveis na cidade do ABC paulista, a transposição de água da Represa Billings para o Sistema Alto Tietê foi retomada com apenas 25% da capacidade. Atualmente, a transferência está restrita a 1 dos 4 mil litros por segundo previstos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). 

A autorização para o bombeamento de no máximo 1 mil litros por segundo foi dada no dia 9 de outubro pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente após acordo no qual a Sabesp e o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) se comprometeram a executar obras no canal do Rio Taiaçupeba-Mirim para mitigar os impactos provocados pela transposição de água da Billings. 

Nesta terça-feira, 20, o Estado revelou que a transposição foi embargada pela prefeitura de Ribeirão Pires no dia 8 deste mês após inundar ruas e fábricas da cidade e provocar a interdição de três casas pela Defesa Civil. Considerada a principal obra do governo Geraldo Alckmin (PSDB) para evitar o rodízio no abastecimento da Grande São Paulo, ela foi inaugurada no dia 30 de setembro. Inicialmente, ela havia sido prometida para maio deste ano.  

Segundo moradores vizinhos à obra, o bombeamento ficou paralisado até esta segunda-feira, 19. Neste terça, a transferência está em 800 litros por segundo. No dia 14, a reportagem do Estado visitou o local e constatou que a transposição não estava em operação para que funcionários de uma empreiteira colocassem pedras para escorar a encosta do rio que desmoronou com o lançamento da nova água no canal, assoreando um trecho de seu leito.  

Em entrevista ao Estado na tarde de segunda-feira, 19, o secretário do Meio Ambiente de Ribeirão Pires, Gerson Goulart, informou que a transposição continuava embargada até o término das obras. Segundo ele, o alagamento foi constatado após os primeiros dias de operação feita pela Sabesp com o bombeamento de metade dos 4 mil l/s que seriam transferidos da Billings para o Alto Tietê.

Questionado pela reportagem, o governo Geraldo Alckmin negou o embargo. "A obra da interligação do Rio Grande ao Sistema Alto Tietê já está concluída, portanto, não pode ser embargada", afirmou a assessoria da Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos. Nesta terça-feira, contudo, a Sabesp encaminhou à reportagem cópia do auto de infração do dia 9 no qual a prefeitura de Ribeirão Pires autoriza o desembargo da obra com a restrição de bombeamento.

Segundo a secretaria estadual, técnicos de DAEE e da Sabesp identificaram que o assoreamento foi causado por erosão no trecho de lançamento da água. "O sedimento, carregado pela água, se alojou 3 km à frente e elevou o nível do córrego de maneira artificial, bloqueando a tubulação da galeria pluvial. Não houve, portanto, extravasamento do córrego, que está em perfeitas condições", afirmou.

"Trata-se de situação corriqueira no início da operação de obras civis de grande porte – é justamente para identificar a necessidade desse tipo de ajuste que existe a operação assistida. A solução definitiva é simples e já está sendo executada: o DAEE está reforçando o ponto em que a água chega (chamado dissipador de energia), diminuindo a energia com que a água entra no córrego, o que evitará novas erosões", completou.

Ainda de acordo com a pasta, o bombeamento "alcançará sua força total em questão de dias". A transposição prevê o bombeamento de 4 mil litros por segundo do Sistema Rio Grande, braço da Billings que está cheio (85,2% da capacidade), para o Sistema Alto Tietê, que tem nível crítico (14,1%). A água captada percorre cerca de 11 km por uma tubulação construída pela Sabesp até ser lançada no Rio Taiaçupeba-Mirim, onde segue por mais 11 km até a Represa Taiaçupeba, onde fica a estação de tratamento do Alto Tietê.


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