Após desocupação na USP, alunos decretam greve

Estudantes também cogitavam acampar na Cidade Universitária; além de saída da PM, eles pedem que invasores não sejam punidos

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2011 | 03h01

Depois da desocupação ontem da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) pela Tropa de Choque e a detenção de 73 alunos, cerca de 2 mil estudantes decidiram à noite decretar greve estudantil.

Além de pedir a expulsão da Polícia Militar do câmpus, a assembleia de alunos decidiu incorporar mais duas propostas ao movimento: a não punição dos envolvidos em ocupações (da FFLCH e da Reitoria) e a criação de um plano paralelo de segurança. Alguns também cogitavam acampar na Cidade Universitária. Hoje, comissões de estudantes passarão pelas diversas faculdades para convocar alunos a se juntar à paralisação - que foi sugerida pelos 73 detidos ontem. Além de integrantes dos cursos de Humanas, estudantes de Exatas, como Física, Matemática e Computação, apoiam o movimento. Cursos como os de Economia e Administração e da Escola Politécnica já se manifestaram a favor da presença da PM no câmpus.

Ação política. Sempre sob comando de líderes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e de partidos de extrema esquerda, durante a manhã estudantes já pediam pela greve. Lideranças trotskistas da Liga Estratégia Revolucionária - Quarta Internacional (LER-QI) circularam por todo o dia na delegacia, ao telefone, clamando pela paralisação. Eles diziam por quais bandeiras os estudantes deveriam gritar - salientando sempre a extinção dos processos administrativos antigos contra os servidores. Também convocaram estudantes do movimento estudantil de outras universidades, como a Unesp, que estiveram na porta da delegacia, e articuladores de centros acadêmicos ligados a Psol, PSTU e PCO.

Ainda durante o dia, manifestantes bloquearam as duas entradas da Faculdade de Letras da USP e fizeram protestos e assembleias. Não houve aulas e apenas uns poucos alunos que chegaram mais cedo conseguiram fazer uma prova, de latim. Um grupo de quatro alunas e dois professores do Cursinho do Crusp (Conjunto Residencial da USP) relatou que não pôde usar as salas - funcionários trancaram as portas porque alunos estavam retirando carteiras para barricadas. Houve uma tentativa de usá-las para impedir as aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), mas alunos contornaram os obstáculos.

Outras faculdades tiveram aula normal. "Esse movimento atrapalhou muito. Vim focada para estudar e tive de passar por isso. Pelo que estou vendo, amanhã também não haverá aula. E o pior é que tem vestibular da Unicamp neste domingo", reclamou a aluna do Cursinho Odara Botelho, de 18 anos, que saiu às 5h40 de Itapecerica da Serra.

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