Após deslizamento na zona sul, 20 famílias são levadas para hotel

Mais 200 famílias devem ser retiradas do Morro dos Macacos, onde criança e grávida ontem morreram soterradas

Tiago Dantas e Gio Mendes, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2011 | 00h00

Após o deslizamento de terra que matou duas pessoas na Mata Virgem, zona sul da capital paulista, moradores da região convivem com o medo de novos desmoronamentos e a falta de informações sobre a segurança dos imóveis. Pelo menos 20 famílias foram transferidas ontem para um hotel, pago pela Prefeitura. Outras 200 ainda devem ser removidas, segundo a Secretaria Municipal de Habitação. As duas vítimas da tragédia foram enterradas ontem.

"É rezar para não chover. Senão, essa terra vai cair toda em cima das nossas casas. É só em Deus mesmo que dá para confiar, porque no que o pessoal da Prefeitura fala não acredito mais", desabafou a manicure Marisaneide Silva dos Santos Neves, de 33 anos, cujo imóvel fica a 20 metros das casas onde moravam Yohan Hanna de Jesus, de 3 anos, e Tamires Ferreira, de 17 anos, mortos no acidente, no Morro dos Macacos.

Assim como Marisaneide, a diarista Jussara Tavares Perez, de 37, também não sabe quando terá de sair de casa. "A gente está sem água e já falaram que vamos ter de sair daqui, porque a terra continua instável", disse.

As vítimas se reuniram ontem de manhã com representantes da Defesa Civil do Município e da Secretaria de Habitação. Segundo moradores, a Prefeitura teria se comprometido a pagar auxílio-aluguel de R$ 400 por um período de três meses. Em nota enviada à noite, a administração municipal disse que o benefício mensal será, na verdade, de R$ 300.

Tristeza. Parentes e amigos clamaram por Justiça ontem no enterro de Yohan. O menino foi sepultado à tarde no Cemitério Municipal de Diadema, município vizinho.

Os pais do garoto, o mecânico Fernando de Jesus, de 38 anos, e a dona de casa Suzélia Jorge Hanna, de 29, e os outros três filhos do casal, de 9, 12 e 15 anos, permaneceram unidos ao lado do caixão da criança.

O mecânico disse que a família pretende entrar com ação contra a Prefeitura. "Nada vai pagar a vida do meu filho, mas o governo vai ter de arcar com o que aconteceu", disse Fernando de Jesus. A revolta do mecânico é maior com o engenheiro que garantiu, há um mês, que a obra era segura. "Vou atrás dele para ver o que me diz agora."

A outra vítima da tragédia, a adolescente Tamires Ferreira, de 17 anos, que estava grávida de 5 meses, foi enterrada no Cemitério Jardim Vale da Paz, também em Diadema, à tarde. Só foi permitida a entrada de parentes.

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