NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Após crise hídrica histórica, município retoma serviço de água em Itu

Câmara aprovou criação de autarquia municipal de água e esgoto na cidade; hoje, o serviço em Itu é terceirizado

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2017 | 18h11

SOROCABA - Dois anos depois de enfrentar o mais longo racionamento de sua história, o município de Itu, no interior de São Paulo, vai reassumir o controle do abastecimento de água. A Câmara aprovou nesta quinta-feira, 5, a criação da Companhia Ituana de Saneamento, autarquia municipal de água e esgoto. De acordo o prefeito Guilherme Gazzola (PTB), o objetivo é realizar obras e adotar medidas para evitar a repetição da crise que, entre fevereiro de 2014 e janeiro de 2015, deixou a cidade com todas as torneiras secas.

Desde 2007, o serviço de abastecimento de água e saneamento de esgotos vinha sendo terceirizado, em Itu. Em junho do ano passado, a prefeitura extinguiu o contrato com a empresa Águas de Itu e contratou por decreto emergencial a Eppo Águas, do grupo Eppo. De acordo com Gazzola, com a criação da autarquia, o contrato emergencial será extinto. "No entanto, pretendemos fazer uma transição gradual, com o objetivo de evitar a interrupção do serviço e quaisquer prejuízos à população", disse.

O primeiro desafio da autarquia será completar o novo sistema de captação no Córrego Mombaça, capaz de garantir o suprimento de água pelos próximos anos. De acordo com a prefeitura, apenas a metade dos 22 quilômetros de tubulação está em situação operacional, havendo necessidade de complementar os serviços. Outro problema é o alto custo da captação, já que não existe rede elétrica no local e as bombas são acionadas por geradores. Para chegar à estação de tratamento, a água bruta tem de ser desviada para outras redes, elevando o custo do bombeamento.

Durante os 11 meses de racionamento, quando o Estado de São Paulo viveu a maior estiagem em 90 anos, os 168 mil moradores de Itu sentiram na pele a falta de água. Muitas famílias, mesmo armazenando o líquido em tambores, chegaram a ficar uma semana sem água para banho. Moradores faziam fila em bicas e captavam água até em córregos poluídos. A prefeitura requisitou água de açudes particulares e "importou" o líquido de cidades vizinhas. Houve manifestações com enfrentamento à polícia e saques a caminhões-pipas.

 

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