Após confronto, policiamente é reforçado na Favela Tiquatira

Manifestantes bloquearam a Marginal do Tietê durante a noite de quarta e atearam fogo em ônibus e vans

14 Maio 2009 | 08h23

Policial à frente dos ônibus que foram incendiados na tarde de quarta na favela. Foto: Hélvio Romero/AE

 

O policiamente é reforçado na Favela Tiquatira na manhã desta quinta-feira, 14. Seis equipes da Força Tática da Polícia Militar e outras duas de patrulhamento continuam na favela, na região da Penha, na zona leste da capital. Na tarde da quarta-feira, 13, moradores entraram em confronto com policiais e queimaram quatro veículos, interditando pistas da Marginal do Tietê.

 

De acordo com o coronel Antônio Carlos Goulart, os policiais permanecerão no local por tempo indeterminado. "O objetivo é manter a normalidade no local para podermos nos empenhar nas buscas aos criminosos", explica. A busca será intensificada nos próximos dias, de acordo com o coronel. Até as 8 horas desta quinta, nenhuma pessoa havia sido detida. O Corpo de Bombeiros enviou nove equipes à região para apagar o fogo ateado a um micro-ônibus, um caminhão, um ônibus e um veículo particular na noite de quarta..

 

Confusão

 

A confusão começou às 16h30 de terça, depois que PMs detiveram três rapazes em uma quadra de esportes do bairro. Ao perceberem a ação da polícia, um grupo de moradores da favela cercou a viatura para tentar impedir a prisão. Dois dos suspeitos conseguiram fugir.

 

O único detido foi Vagner Barbosa da Silva, de 19 anos, com quem a PM diz ter encontrado 10 pinos com cocaína, 5 trouxinhas de maconha e 12 bolinhas de haxixe. A mãe dele, a dona de casa Maria Cristina Barbosa, de 39, acabou levada para a delegacia por ter investido contra os policiais.

 

Às 18 horas, um grupo bloqueou com pneus e pedaços de madeira a Avenida Gabriela Mistral, uma travessa da Marginal do Tietê, e atearam fogo a um ônibus articulado e outros três veículos. "Estava parada no farol e eles chegaram com garrafas de gasolina e álcool nas mãos", disse a condutora do micro-ônibus filiado à Associação Paulistana, identificada apenas como Margarete.

 

Minutos depois, a favela estava cercada por 120 homens de cinco batalhões e sobrevoada pelo helicóptero Águia. A PM usou balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. "Viemos aqui para conter a manifestação e fomos recebidos a pedradas", afirmou o coronel Goulart. "Nossos homens ficarão aqui para restabelecer a ordem."

 

O rapaz preso durante a tarde seria autuado por tráfico e a mãe dele, por desacato. Parentes disseram que a polícia agiu com violência e negaram que Silva seja traficante. "Meu filho trabalha comigo como ajudante de pedreiro. Nunca mexeu com droga", disse o pai, o também ajudante de pedreiro Ronaldo Ferreira da Silva, de 38 anos. "A gente estava trabalhando numa obra e, como hoje (ontem) acabou mais cedo, ele foi para o campinho."

 

Dois comerciantes que testemunharam a confusão também reclamaram da atuação da PM. "Nasci nesse bairro e posso dizer que o pessoal da favela é muito tranquilo. Foi a polícia que chegou jogando bomba e dando tiro", disse Pedro Ganav, de 68 anos, dono de uma loja de materiais de construção.

 

Essa não foi a primeira vez que moradores da Tiquatira se rebelaram. Em agosto do ano passado, um grupo de 200 pessoas ateou fogo a um ônibus e apedrejou outro. Parte do grupo chegou a trocar tiros com a polícia. Na ocasião, suspeitava-se que a manifestação teria sido motivada por uma chacina ou pela morte de um criminoso, baleado pela PM durante um assalto a banco.

 

(Solange Spigliatti, da Central de Notícias, e Bruno Tavares, José Dacauaziliquá e Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo)

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