Após confronto, 180 PMs mantêm ocupação em Paraisópolis

Polícia afirma que manifestação começou por causa da morte de um suspeito na favela no último domingo

Fabiana Marchezi, Solange Spigliatti e Daniela do Canto, estadao.com.br

03 Fevereiro 2009 | 12h55

Cerca de 180 policiais militares mantêm a ocupação na Favela Paraisópolis nesta terça-feira, 3, após o confronto que começou no fim da tarde e continuou até parte da noite de segunda, entre policiais e moradores da comunidade. De acordo com o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), os PMs contam com 60 viaturas - 38 do policiamento e 22 da Tropa da Choque. O confronto deixou pelo menos seis feridos - quatro policiais militares e dois moradores.   Veja também: Ao menos 6 ficaram feridos no confronto Polícia relaciona morte de traficante a protesto Paraisópolis passa por mudança  TV Estadão - O confronto com a PM  Galeria de fotos do confronto em Paraisópolis   O quatro policiais feridos passam bem e não correm risco de morrer. Três deles permanecem internados, segundo a assessoria de imprensa do Hospital da Polícia Militar. Um capitão, que foi atingido no abdômen, um sargento e um soldado, que ficaram feridos nas pernas, estão com o estado de saúde estável. A quarta vítima, um soldado, que levou uma pedrada na cabeça, foi medicada e liberada. A PM está preservando a identidade dos militares.       O comerciante Derval Olímpio da Silva, de 44 anos, atingido no peito, foi medicado no Hospital Albert Einstein. De acordo com a imprensa da PM, ele foi ferido por uma bala de borracha e já foi liberado. O servente de pedreiro Marcione dos Santos, de 21 anos, ferido no ombro, foi socorrido ao Hospital do Campo Limpo e também já foi liberado. Ele diz ter sido atingido, por volta das 21 horas, quando chegava do trabalho. Não há confirmação se, neste caso, o ferimento também foi provocado por bala de borracha.   PM ocupa a Paraisópolis    O secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, determinou à Polícia Militar que mantenha os acessos da favela ocupados por tempo indeterminado. "Esses bandidos ficarão cercados e serão presos, senão hoje (segunda) nos próximos dias", afirmou Marzagão. "A saturação da área é uma forma de proteger a população de bem e, ao mesmo tempo, dar uma resposta aos criminosos. Vamos agir dentro da lei."    Marzagão preferiu não especular sobre os motivos da manifestação. "Não me parece que sejam os moradores da favela. A maioria que vive ali é de gente de bem, que não atira na polícia", disse. Para Marzagão, a ação foi preparada com antecedência. "É importante que se diga que, aqui em São Paulo, não há lugar impenetrável para a polícia. É lamentável que tenhamos homens feridos, mas faz parte da construção de uma sociedade civilizada", concluiu ele, antes de sobrevoar a favela no fim da noite da segunda.   No final da noite, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que já havia liberado o trânsito nas ruas Doutor Francisco Tomas de Carvalho e Doutor Flávio Américo Maurano, que fazem a ligação entre as avenidas Morumbi e Giovanni Gronchi, as principais da região. Todas as linhas de ônibus que atendem as ruas do entorno da favela operavam normalmente nesta manhã. Por causa do confronto, muitos ônibus não tiveram como passar pelo local na segunda.   Histórico   Já não é a primeira vez que a polícia ocupa a favela de Paraisópolis. Em agosto do ano passado, um grupo de 300 policiais passaram cerca de 10 horas na região, respondendo a uma demanda dos moradores do Morumbi por mais policiamento.   Nascida de um loteamento que, em 1921, formava um xadrez de quadras regulares, a Favela Paraisópolis tem atualmente cerca de 80 mil moradores, que habitam um emanharado de casas e barracos, na zona sul da capital paulista. O crescimento desordenado fez com que as ruas fossem ficando cada vez menores, conforme os imóveis iam avançado.   A comunidade, com uma área de aproximadamente 100 hectares, está localizada no meio do Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Hoje, existem projetos de urbanização e habitação para 'transformar' o local em um bairro. Somente a segunda fase do projeto foi orçado em R$ 150 milhões para criar um plano viário na favela e a construção de unidades habitacionais.

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