Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Após ciclovia, Paulista ganhará 1º radar

Nunca um motorista foi multado na avenida por excesso de velocidade; obra para ciclistas terá fibra ótica necessária para equipamentos

RAFAEL ITALIANI, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2014 | 02h01

Sem nunca ter registrado nenhum motorista multado por trafegar acima do limite de velocidade - hoje em 50 km/h -, a Avenida Paulista aguarda pela construção no canteiro central de uma ciclovia estimada em R$ 15 milhões para, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ter uma rede de fibra ótica.Segundo o órgão, a tecnologia é necessária para a instalação de radares no cartão-postal da cidade.

Na história recente da via, duas ciclistas morreram atropeladas no local e um jovem teve o braço decepado por um motorista que trafegava em alta velocidade. "As infrações por excesso de velocidade são registradas somente por equipamentos eletrônicos", explicou a CET.

Segundo a empresa municipal, "na Avenida Paulista, nunca foi usado ou implementado qualquer tipo de equipamento eletrônico de fiscalização". Hoje, apenas marronzinhos aplicam multas - não de velocidade. Em 2012, foram 20.104 autuações e, em 2013, outras 18.716 multas. Neste ano, foram registradas 9.448 infrações.

A Prefeitura quer instalar radares entre os números 700 e 1.400 da via. O trecho, de acordo com a CET, concentra cerca de 45% dos acidentes de trânsito na região. Também está prevista a fiscalização das faixas exclusivas de ônibus.

Os equipamentos fazem parte da licitação que prevê 843 novos radares em São Paulo. Deste total, 85 foram colocados em operação. Outros 431 são do formato antigo. A ampliação, afirma a companhia, "está ocorrendo de forma gradual".

Quem usa diariamente a via acha que existe fiscalização. A administradora de empresas Marcela Bosso, de 32 anos, por exemplo, dirige há 14 anos pelo local. "O limite de velocidade é baixo. Para não correr o risco de ser multada eu aciono o limitador de velocidade." O dispositivo apita quando ela ultrapassa os 50 km/h. "Uso a avenida durante a manhã no sentido contrário do fluxo. Se eu me distrair, ultrapasso a velocidade."

A CET testou radares-pistola na avenida, mas eles foram ineficientes por causa de interferências das antenas da região.

Alternativas. Para Daniel Guth, diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), há medidas alternativas para reduzir a velocidade naturalmente, sem a necessidade de radares. "Não ter sistema de multas é ruim, mas reduzir a velocidade já deixa o local mais seguro. As faixas de pedestre também podem ser elevadas, obrigando o motorista a reduzir a velocidade", afirmou.

Segundo o engenheiro e mestre em Transporte pela Universidade de São Paulo (USP) Sérgio Ejzenberg, não são necessários radares. "Os agentes de trânsito podem multar por velocidade incompatível com a via usando a percepção", disse.

A CET, porém, disse que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) descreve de forma "taxativa" que a medição de velocidade "deve ser realizada por meio eletrônico."

Diminuição. A CET informou que a diminuição no número de multas entre 2012 e 2013 está "diretamente ligada aos programas de conscientização, fiscalização e educação no trânsito". Para Ejzenberg, o fato de não haver o monitoramento eletrônico não deve ser visto com preocupação. "O motorista pode ser flagrado antes de entrar na avenida ou quando sair dela", afirmou o especialista.

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