Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Após chuvas, nível do Sistema Cantareira se mantém estável

Represa, que vinha de sucessivas quedas, manteve 11,9% da capacidade total depois de chover 15,7 milímetros sobre a região

Felipe Resk e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2014 | 09h52


Atualizada às 21h43

SÃO PAULO - A chuva que atingiu São Paulo e o sul de Minas nos últimos dias deu fôlego ao Sistema Cantareira. O nível de água do reservatório ficou estável nesta terça-feira, 4, após 38 dias de quedas consecutivas. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o sistema de represas manteve 11,9% da capacidade.

A última vez que o reservatório deixou de perder água foi em setembro, antes dos 105 bilhões de litros da segunda cota do volume morto serem incorporados. Nos dias 26 e 27 daquele mês, o reservatório se manteve estável em 7,2%, caindo para 7,1% no dia 28. 

Nesta terça, o volume de chuva sobre o Cantareira foi de 15,7 milímetros, acima da média diária dos últimos meses. Enquanto em outubro inteiro choveu 42,5 milímetros na região, nos primeiros quatro dias deste mês o volume acumulado já é de 39,6 milímetros: 93% do mês anterior. Outubro foi o mês mais seco no reservatório em 84 anos. 

Antes de a segunda cota do volume morto entrar no cálculo da Sabesp, no dia 24 de outubro, o nível do Cantareira estava em apenas 3%, o mais baixo já registrado. Após o acréscimo de 105 bilhões de litros da reserva técnica, o volume útil de água subiu para 13,6%. 

Mesmo com a estabilidade, há 202 dias não é registrado aumento no manancial. O último que a Sabesp registrou foi no dia 16 de abril , quando o reservatório foi de 12% para 12,3%.

A previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é de mais chuva sobre o Sistema Cantareira. Entre esta quarta e quinta, existe a possibilidade de mais de 6 milímetros de chuva sobre os mananciais. Após o dia 9, a previsão é de seca, mas meteorologistas já preveem chuvas na segunda quinzena do mês. Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da empresa Climatempo, as condições de precipitação sobre o reservatório aumentam a partir do dia 16 de novembro com a chegada de uma frente fria.

Vazão dos rios. As chuvas já foram suficientes para aumentar a vazão de água dos rios que formam o Sistema Cantareira para os mananciais do reservatório. Na Represa Jaguari-Jacareí, nesta terça, foi registrada uma entrada de 10,6 mil litros por segundo. Durante uma cerimônia de entrega de trens, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) comemorou a estabilidade. 

“Ajudou, mas nunca uma chuva sozinha vai encher o reservatório. Tanto ajudou, que o Cantareira parou de cair, o que é natural. Quer dizer, você primeiro encharca, porque a terra está muito seca, para depois subir.” Na segunda, Alckmin disse que ainda neste mês a Represa Guarapiranga deve entregar mais 1 mil litros de água por segundo no Sistema Cantareira. 

O governador promete “otimizar” a integração dos reservatórios da região metropolitana de São Paulo. Com isso, Alckmin pretende diminuir pela metade a dependência do Sistema Cantareira. Antes da crise, o reservatório produzia uma média de 33 mil litros de água por segundo para a região. A vazão do reservatório já vinha sendo reduzida ao longo do ano por causa da crise hídrica. / COLABOROU CAIO DO VALLE

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