Após chacina, ônibus é atacado no Jaçanã e serviço, paralisado

Para polícia, incêndio foi causado por traficantes. Motoristas e cobradores cruzaram os braços, atingindo 69 mil pessoas

Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

Um micro-ônibus foi incendiado anteontem à noite no Jaçanã, zona norte de São Paulo, em uma ação que, segundo a polícia, foi planejada por traficantes de drogas. O ataque fez com que motoristas e cobradores das cooperativas Transcooper e Fênix, que operam 38 linhas de ônibus, paralisassem o serviço durante a manhã de ontem, prejudicando 69 mil passageiros.

A polícia apura se a ação teria relação com a chacina ocorrida 20 horas antes no mesmo bairro, em uma disputa por pontos de drogas, em que quatro pessoas morreram e três ficaram feridas. O delegado José Carvalho Pinto, do 73.º DP (Jaçanã), descartou a possibilidade de o ataque ter sido um protesto de moradores por causa dos homicídios. "Com certeza foi bagunça do tráfico de drogas. Os moradores daqui são trabalhadores e usam ônibus", disse.

Ação. Às 23h de quinta-feira, um dos 20 passageiros de um lotação que fazia a linha 1722/10 Jardim Marina-Tucuruvi ordenou que as portas se abrissem e todos saíssem. Ele abriu um saco plástico e despejou combustível no interior do coletivo. Ateou fogo com um isqueiro, segundo a polícia, e fugiu.

Logo depois, as linhas das duas cooperativas foram paralisadas. "Recebemos ameaças pelo telefone 0800 da empresa antes de o ônibus ficar em chamas. Preferimos não arriscar a vida dos passageiros. Não foi um protesto", afirmou um diretor da Transcooper, que pediu para não ser identificado.

O serviço foi retomado às 12h, após a PM garantir reforço no policiamento da região. "O objetivo é devolver a tranquilidade", diz o major Armando da Silva Moreira, coordenador operacional do 43.º Batalhão da PM. Ele afirma que recebeu reforço das unidades de choque, como a Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota).

O delegado Carvalho Pinto classifica a região do Jaçanã como "tranquila". "Apesar de ser na periferia, não temos grandes problemas", afirma. Mesmo assim, informa que entre abril e junho foram registrados nove homicídios na delegacia, uma média de três por mês.

No dia 11 de maio, seis pessoas - cinco delas moradores de rua - morreram e uma mulher ficou gravemente ferida sob um viaduto no km 86 da Rodovia Fernão Dias, na primeira chacina do ano ocorrida no Jaçanã. A área era um ponto de usuários de crack. A polícia tinha duas linhas de investigação: ligação com o tráfico de drogas ou um crime de intolerância.

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