Após chacina de jovens, Bope ocupa favela do Rio

Operação conjunta tomou Chatuba de madrugada; durante o dia, 12 pessoas foram presas, mas nenhuma tinha ligação com o crime

ANTONIO PITA , HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2012 | 03h04

Em resposta à execução de seis jovens no fim de semana, em Mesquita, na Baixada Fluminense, a Polícia Militar do Rio iniciou na madrugada de ontem a ocupação permanente da Favela da Chatuba, área dominada pelo tráfico. Até o início da noite, 16 pessoas foram presas e 2 menores, apreendidos - nenhum tem relação com as mortes, segundo o delegado Júlio da Silva Filho, responsável pelo caso.

Christian Vieira, de 19 anos, Victor Hugo Costa, Douglas Ribeiro e Glauber Siqueira, de 17, Josias Searles e Patrick Machado, de 16, saíram de casa para um festival de pipas e seguiram para uma cachoeira no Parque Natural de Gericinó, a 4 km da rua onde moravam. Os corpos foram encontrados anteontem em um canteiro de obras na beira da Via Dutra, a 9 km da Chatuba.

Para o delegado Silva Filho, "os traficantes se intitulavam e se julgavam donos e senhores daquele território. E os jovens teriam invadido aquele local", afirmou o delegado. Segundo ele, cerca de 20 bandidos participaram da chacina, abandonaram os corpos e fugiram.

Desde a madrugada, 250 policiais, incluindo oficiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque, ocuparam a região onde aconteceram os crimes. No local, a Secretaria de Segurança determinou a implementação de emergência de uma Companhia Destacada da Polícia Militar, com 112 homens - força policial de caráter permanente, com foco no policiamento ostensivo, modelo diferente daquele adotado desde o fim de 2008 em favelas da capital nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Durante todo o dia, policiais fizeram incursões pela favela em busca dos assassinos e de traficantes. Foram encontrados cinco acampamentos em uma região de mata fechada no alto do morro, onde foram apreendidos um gerador de alta capacidade e um fuzil de fabricação alemã. Também foram apreendidos cadernos de anotação da contabilidade do tráfico, drogas, munições, dois revólveres, granadas e R$ 27 mil em espécie.

Investigações. O local exato onde os jovens foram assassinados ainda não foi localizado. Nessa região estão a Área de Proteção Ambiental Municipal de Mesquita, o Parque Natural de Gericinó e uma área de propriedade do Exército, o Campo de Instrução de Gericinó. Questionado sobre o possível local de execução, o Exército afirmou que "a área onde foram encontrados os corpos não está sob a administração do Exército".

"O parque está abandonado. Os limites são definidos pelos próprios vagabundos. A Polícia e o Exército deram aquilo como área de lazer para os bandidos", reclamou Cildes Vieira do Espírito Santo, pai de uma das vítimas. "Entrei lá atrás do meu filho, e os bandidos estavam atirando."

A polícia também investiga se há mais vítimas do mesmo grupo. José Aldecir da Silva Júnior, de 19 anos, está desaparecido desde a manhã de sábado. O pai do rapaz, José Aldecir da Silva, de 49 anos, disse que ouviu relatos de que o filho estaria no Parque Gericinó, quando foi capturado por 20 homens. O garoto acompanharia o pastor evangélico Alexandro Lima, uma sétima vítima até agora identificada.

José Aldecir trabalhava em uma fábrica de tecido em Campo Grande, zona oeste do Rio. A mulher está grávida de 9 meses, e o garoto havia dito ao pai que, após o passeio, voltaria para casa para montar o berço da filha. "Eu tenho certeza de que ele está morto, mas eu quero o corpo para fazer um enterro", disse o pai.

Uma oitava morte registrada em Mesquita foi a do cadete da PM Jorge Augusto de Souza Alves Júnior, de 34 anos. Ele foi encontrado com marcas de tiros e tortura no porta-malas do seu Fox, na manhã de sábado.

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