Após boato de toque de recolher, policiais do Deic ocupam bairro

Comerciantes diziam que fechariam as portas e pais de alunos contavam que não mandariam seus filhos à escola

O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h02

Depois das mortes na noite anterior, havia medo e tensão entre moradores da Vila Brasilândia ontem. Comerciantes diziam que iam fechar as portas no fim da tarde e pais de alunos contavam que não mandariam seus filhos à escola. O motivo seria um toque de recolher - uns afirmavam que era ordem de criminosos, outros de policiais. Para impedir novas chacinas e a imagem das ruas do bairro às moscas, a Secretaria da Segurança Pública resolveu reagir: o secretário Antonio Ferreira Pinto determinou ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) que ocupasse a Brasilândia.

No fim da tarde, 200 homens de todas as divisões do Deic ocuparam o lugar em busca de suspeitos, armas e drogas. "Não vamos deixar ninguém fechar. Aqui não vai fechar nada", afirmou o diretor do Deic, delegado Nelson Silveira Guimarães. A presença da Polícia Civil em uma área que viu alguns dos mais sangrentos episódios da guerra declarada entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Polícia Militar evitou o fechamento do comércio no bairro. Por volta das 19h30 de ontem, muita gente estava na rua e bares permaneciam abertos na região. Um helicóptero do Deic sobrevoava o bairro em apoio à operação. "Vamos ficar aqui até a hora que a gente achar que está tudo em paz", disse.

A situação no começo da noite de ontem era bem diferente daquela que foi presenciada pelos policiais que trabalham no bairro. Um deles contou que o cenário durante a noite de segunda-feira foi caótico. "Era tiro para todo lado. Toda essa região virou uma praça de guerra."

Amedrontados após ataques a coletivos, os motoristas só esperavam uma ordem para encerrar o trabalho mais cedo na região. "Ontem, depois das 10 horas, nenhum ônibus entrava na Brasilândia. Um monte de gente ficou no meio do caminho."

Escolas. Também na Vila Brasilândia, o pai de uma aluna da Escola Estadual Martins Egídio Damy disse que a secretaria da escola telefonou para ele na tarde de ontem pedindo que buscasse sua filha mais cedo, pois havia toque de recolher no bairro.

Em vez de sair às 18h20, horário habitual, a adolescente foi liberada às 16h. Segundo o pai, não só a escola, mas lojas e salões de beleza também foram fechados. A secretaria da escola afirmou, no entanto, que os pais estavam assustados e que foram até lá para buscar os filhos, que, mediante autorização, eram liberados. No mesmo bairro, as Escolas Doutor Ubaldo Costa e Vila Guarani permaneciam abertas, mas os alunos não compareceram, por medo da violência. / A.R., JULIANA DEODORO, MARCELO GODOY e W.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.