Após blitz do MP, Renascer reforma abrigo em Franco da Rocha

Casa Lar recebe crianças vítimas de violência; promotor diz que local era usado para lavagem de dinheiro

25 de outubro de 2007 | 10h26

A Igreja Renascer iniciou reformas na Casa Lar, abrigo de crianças instalado em Franco da Rocha, na Grande São Paulo. As obras começaram após uma vistoria do Ministério Público comprovar que o local, onde estão abrigadas em torno de 30 crianças, apresentava condições precárias. A Casa Lar, uma das três instituições investigadas por mandado do MP, recebe crianças vítimas de violência, enviadas pelo conselho tutelar de Franco da Rocha. Segundo o promotor Marcelo Mendroni, do MP, o local serve como filtro para a lavagem de dinheiro de Estevam e Sonia Hernandes, os fundadores da Renascer. As outras duas instituições da Fundação Renascer, personalidade jurídica da igreja, investigadas são o Núcleo de Assistência de Heliópolis, na Zona Sul, e o Centro de Recuperação de Santana do Parnaíba. Segundo a direção da Casa Lar, a reforma, iniciada depois da blitz do GOE, já havia sido requisitada anteriormente.  Há mais de cinco anos o promotor Mendroni investiga a origem do patrimônio do casal Hernandes. Na última terça, ele apresentou o resultado das buscas feitas nas três entidades sociais. Lavagem de dinheiro De acordo com ele, o casal foi interrogado em setembro de 2006 e se defendeu da acusação de lavagem de dinheiro afirmando que as doações arrecadadas nos 600 templos do País são repassadas aos três projetos sociais. Nenhum centavo seria destinado ao patrimônio pessoal deles, que são evangelizadores voluntários. Ambos cumprem pena nos EUA por tentarem entrar no país com dólares não declarados. O que o MP viu na Casa Lar, segundo Mendroni, demonstra que, 'mesmo se fossem mil pessoas, e muito bem atendidas, não daria nem 0,5% do patrimônio arrecadado'. No início do mês, o MP comprovou a movimentação de cerca de R$ 4 milhões nas contas bancárias dos Hernandes em dois anos. Eles negam. A prefeitura de Franco da Rocha informou que a Casa Lar não tem alvará de funcionamento. Foi lá que a polícia encontrou a pior situação, para o delegado assistente do GOE, Antônio Sucupira Neto. "Achei precárias as condições, os dormitórios eram extremamente simples e estavam mal cuidados." Nas fotos do MP, é possível ver fiação elétrica exposta. Foram encontradas frutas em decomposição e feijão com data de validade vencida, e um documento que mostra arrecadação mensal média de R$ 5 mil que, segundo Sucupira, indicaria que a entidade busca suas próprias doações, sem apoio da Igreja. O local mais bem cuidado está em Santana do Parnaíba, onde só quartos sem pacientes estariam com espelhos oxidados, poeira, terra no chão, e colchões empilhados. Em nota, a Fundação Renascer repudiou diz estar sendo alvo de perseguição religiosa 'das mais cruéis que se tem notícia neste País' e que já processou o promotor Mendroni, mas não descarta processá-lo novamente. A fundação, no entanto, não respondeu quanto arrecada em doações. Informou apenas que está entre as três maiores igrejas evangélicas do Brasil, onde mais de um terço dos 180 milhões de habitantes afirma seguir a religião.  Com Ana Carolina Moreno, do Jornal da Tarde

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