Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Após balada no bar Alberta #3, bandidos fazem um arrastão

Pelo menos cinco ladrões entraram como clientes, passaram horas na casa e só por volta das 4horas anunciaram o roubo

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

Pelo menos cinco criminosos fizeram um arrastão na madrugada de domingo na casa noturna Alberta #3, no centro de São Paulo - endereço badalado da capital paulista. O grupo levou o dinheiro do caixa, além de celulares e outros pertences, como joias, de clientes e funcionários. Uma funcionária chegou a ser agredida, segundo testemunhas.

A ação aconteceu por volta de 4 horas, quando o movimento na casa já era pequeno e havia poucos clientes. Os bandidos entraram no bar como se fossem clientes. Parte deles permaneceu sentada em uma mesa no andar superior da casa e o restante ficou no térreo. "Não levantaram suspeitas, estavam bebendo e conversando durante a noite. A única coisa que chamou a atenção era que um deles estava de blazer, traje incomum na casa", disse um funcionário que não quis se identificar.

Quando o local começou a ficar vazio é que o grupo anunciou o assalto. "Estava descendo as escada quando dei de cara com dois homens armados andando na direção oposta. Eles subiram empurrando todo mundo. Um verdadeiro arrastão. Derrubaram algumas pessoas, pegaram outras pelo braço e chegaram ao andar superior anunciando que era um assalto", contou a jornalista B.N., de 27 anos, uma das clientes que ainda estavam no local e pediu para não ser identificada. Ela teve seu iPhone e um anel roubados.

B.N. afirmou que ela e cerca de 20 pessoas, entre clientes e funcionários, foram trancados em uma sala usada como despensa enquanto o grupo roubava o caixa. "Depois do assalto, eles foram embora e os funcionários que ficaram do lado de fora nos soltaram." Segundo o funcionário, havia ainda uma mulher que fazia parte do grupo e que se encarregou de dar cobertura e observar o movimento geral.

O administrador do Alberta #3, Alessandro Padovano, não soube informar a quantia levada do bar. "Só soubemos que era um assalto quando um dos seguranças abordou o grupo na mesa e pediu para fechar a comanda. Nesse momento eles anunciaram o assalto", diz ele. "Pegaram a gente desprevenido. Havia poucos clientes e a maioria das pessoas que estavam na casa era funcionário." A gerência pegou os dados dos clientes roubados e o caso foi registrado no 3.º DP.

Segurança. O assalto fez a casa repensar as medidas de segurança adotadas. "Não fazíamos revistas nos clientes na entrada. Mas agora estamos pensando em fazer já a partir de terça (hoje)", afirmou Padovano.

A direção da casa ainda cogita, segundo ele, adotar detectores de metais e sistemas de monitoramento de câmeras. "Houve essa onda de assaltos em Pinheiros. Talvez estejam migrando para o centro", disse o administrador.

O Alberta #3 postou no fim da tarde de ontem na sua conta no Twitter que não havia sofrido um "arrastão", mas um assalto na manhã, após ter fechado as portas.

PARA LEMBRAR

Zona oeste teve onda de casos

Restaurantes e bares de bairros como Pinheiros, Jardins e Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista, sofreram uma série de arrastões nos primeiros meses do ano. Somente entre fevereiro e meados de março, houve nove casos na região.

Na época, a Polícia Militar prometeu reforço no policiamento dos bairros, principalmente nas ruas que concentram estabelecimentos. No último dia 17, clientes de um bar na Vila Olímpia, na zona sul, foram vítimas de um arrastão. No mesmo dia, uma quadrilha bebeu e comeu em uma pizzaria localizada na Saúde, na mesma região, antes de assaltá-la.

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