Após atrasos, Estação Adolfo Pinheiro do Metrô é inaugurada incompleta

Parada começou a ser construída em agosto de 2009 na zona sul da capital paulista

Caio do Valle e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2014 | 12h46

Atualizado às 15h23.

SÃO PAULO - Após quatro anos, cinco meses e 26 dias de obras, a Estação Adolfo Pinheiro do Metrô de São Paulo foi inaugurada nesta quarta-feira, 12, ainda incompleta. Uma das duas plataformas da parada não está totalmente pronta. Nela, faltam elevador de acesso para pessoas com deficiência, piso podotátil para cegos em parte de sua extensão e mapas de localização. Além disso, as portas de vidro que impedem o acesso aos trilhos não têm sinalização de segurança. Não está nos planos do Metrô usar essa plataforma nos primeiros meses da nova parada. Na parte superior da estação, ainda há canteiros de obras. Nos primeiros dias, a parada funcionará das 10h às 15h.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), provável candidato à reeleição, participou, no fim da manhã, da entrega oficial da estação, que fica na Linha 5-Lilás do Metrô, na zona sul da capital paulista. A inauguração, quase dois anos e meio depois da última entrega de estações no sistema metroviário, ocorreu após sucessivos atrasos.

A reportagem constatou que uma plataforma inteira da estação ainda precisa ser terminada. Os passageiros não têm acesso a ela, onde, no futuro, haverá embarque no sentido da Estação Chácara Klabin. O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou que todas as portas de plataforma já estão instaladas e que, se precisarem, podem funcionar. Contudo, essa plataforma ainda não será usada pela operação do Metrô.

"Só que nós vamos começar a operar só de um lado (uma plataforma), não há necessidade dos dois. Não haverá necessidade (de operar dos dois lados) em março, até abril (quando a estação passará a funcionar em horário integral)."

Em dezembro, Alckmin havia afirmado que a parada abriria em janeiro. No mês passado, passou a dizer que a cerimônia ocorreria no dia 1.º de fevereiro. Contudo, faltando um dia para essa data, o Metrô adiou a abertura, alegando exigências adicionais de segurança do Corpo de Bombeiros. A assessoria de imprensa da empresa foi questionada diversas vezes, mas nunca divulgou quais eram essas recomendações.

Em entrevista ao Estado no fim de janeiro, o arquiteto e consultor de transportes Flamínio Fichmann informou que é importante ter à disposição as duas plataformas funcionando integralmente.  "Se não, terão de criar uma estratégia operacional para garantir a segurança do usuário, porque a estação só terá uma plataforma para embarque e desembarque."

Na parte de fora da estação, que é subterrânea, ainda havia muitos operários trabalhando, e vários retoques por fazer. Todos esses canteiros foram tapados com tapumes de concreto.

Questionado sobre atrasos para a entrega da estação, que teria sido prometida originalmente para 2010 pelo governo do Estado, Alckmin rebateu. "Não havia como entregar em 2010 a estação, se as obras começaram no segundo semestre de 2009", afirmou. As obras na Adolfo Pinheiro começaram no dia 17 de agosto de 2009.

A previsão é de que 14 mil passem a usar a estação todos os dias úteis quando ela estiver operando em horário comercial pleno, o que deve ocorrer até abril. Além de elevadores especiais, a estação possui doze escadas rolantes "inteligentes", que economizam energia quando não há usuário. Com Adolfo Pinheiro, o Metrô paulistano passa a ter 75,5 km de comprimento e 65 estações.

Linha 4-Amarela. Alckmin e o secretário Jurandir Fernandes também falaram sobre o andamento das demais obras do Metrô e a previsão de entrega das próximas estações. As próximas duas paradas a serem entregues são Vila Prudente e Oratório, na Linha 15-Prata, um monotrilho que cortará a zona leste. A inauguração ocorrerá em março, mas ainda não há data definida.

"A Linha 4-Amarela, (a Estação) Fradique Coutinho (abre) em torno de setembro e Oscar Freire em torno de novembro", disse Fernandes. Pela primeira vez em público, ele não confirmou a Estação Higienópolis-Mackenzie para este ano. "O nosso esforço é Higienópolis(-Mackenzie), com aquele atraso que nós tivemos com aquele fosso que deu muita água, e trazer (a Estação São Paulo-)Morumbi. Então, a nossa luta são essas quatro."

Logo em seguida, no entanto, o dirigente acrescentou: "É um caso já difícil de fazer, não há possibilidade (São Paulo-)Morumbi e Vila Sônia. Não há possibilidade desse ano. Morumbi e Vila Sônia para o ano que vem."

As obras na Linha 4-Amarela, que hoje tem seis estações abertas, completam uma década neste ano.

Segundo Alckmin, o Metrô possui 57 km em obras. "Como temos a Linha 6(-Laranja) que já está assinada, em breve teremos mais 16 km obras", afirmou. "Teremos um metro funcionando e outro em obras."

Caos. Sobre a paralisação da Linha 3-Vermelha do Metrô na semana passada, que fechou dez estações por cinco horas, o governador disse que ainda não está descartada a hipótese de sabotagem no tumulto. Segundo ele, as investigações ainda estão em andamento. "O secretario (Fernando Grella Vieira, da Segurança Pública) está remetendo a investigação para a Polícia Técnica-Científica e estamos acelerando a apuração", disse.

Procurado para comentar sobre a parte inacabada da Adolfo Pinheiro, o Metrô não se manifestou até o fechamento desta matéria.

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