Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Após atrasos e com trepidações, monotrilho começa a cobrar R$ 3,50

Linha 15-Prata funciona das 7h às 19h; Metrô ainda não divulgou o dia em que trecho entre estações funcionará como as demais linhas

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 13h18

Atualizada às 22h13

SÃO PAULO - Sai o turista, entra o passageiro. Assim começou a operação comercial do primeiro monotrilho do Brasil, o trem da Linha 15-Prata, na zona leste de São Paulo. Nesta segunda-feira, 10, o Metrô ampliou o horário de funcionamento do trecho para 12 horas. Agora, quem quiser conhecer as duas estações em funcionamento e fazer selfies nos 2,9 quilômetros da nova linha terá de pagar a tarifa de R$ 3,50 - até então a viagem era gratuita.

Agora, o trecho funciona das 7 às 19 horas, pegando o horário de pico da manhã e parte do rush da tarde. De acordo com a companhia, até o fim da operação 3.661 passageiros foram transportados no novo horário.

Na manhã desta segunda já era possível ver os passageiros habituais do transporte público, como trabalhadores e estudantes. A universitária Tabata Carpanezi, de 22 anos, por exemplo, agora pode deixar o carro em casa para ir até a Universidade Mackenzie, em Higienópolis, na zona oeste de São Paulo.

Moradora da Vila Ema, também na zona leste, ela afirma levar 1h30 dentro de um carro para fazer o trajeto. “Achei bem funcional. Como tenho de estar na faculdade às 8h, agora vou conseguir ir de transporte público”, afirmou.  

Ela calcula que vai demorar 45 minutos entre a casa dela e a faculdade. Antes da ampliação do horário de funcionamento, o monotrilho funcionava apenas das 9 horas às 14 horas. Ainda não há prazo para que a Linha 15-Prata opere das 4h40 até a meia-noite, como as outras linhas do Metrô de São Paulo.

O aposentado Jair Bocci, de 62 anos, que mora no Parque São Lucas, aproveitou para levar o carro para revisão no Sumaré, na zona oeste, e voltou de metrô. “Apesar de eu ter carro, faço questão de usar transporte público para fugir do trânsito. Qualquer opção a mais, linha nova ou corredor de ônibus, ajuda bastante”, disse. A viagem do Sumaré à Estação Oratório levou 40 minutos. 

A comerciante Ana Clara Lopes Leal, de 41 anos, mora atrás da Estação Oratório e agora vai ir ao trabalho usando o monotrilho. “Eu tinha de sair de casa às 6 horas para conseguir chegar no centro às 9 horas”, contou a passageira, que trabalha perto da Praça da República.

‘Disney’. Mesmo atendendo mais passageiros da zona leste, ainda há “turistas” que querem conhecer o novo modal. Foi o caso do músico Rodrigo Moratto, de 38 anos, que mora nos Jardins, na zona sul. Ele quis matar a curiosidade e comparar com as outras linhas que conhece ao redor do mundo. “A primeira vez que eu andei foi na Disney quando era criança. Lá tem um parecido com esse, mas para se deslocar dentro do parque.” 

Depois, ele usou esse tipo de transporte uma segunda vez. Foi em Dubai, nos Emirados Árabes. “O deles tem uma paisagem mais bonita e exótica. Mas o daqui parece que é melhor porque sacode menos.” Apesar da longa fase de testes, o monotrilho ainda tem trepidações.

O governo paulista havia prometido que o monotrilho começaria a funcionar em março de 2014. Os prazos foram alterados conforme os atrasos. De acordo com o Metrô, quando toda a linha estiver pronta, serão transportados 48 mil pessoas por hora, em cada sentido.

Tudo o que sabemos sobre:
MonotrilhoMetrôMobilidade

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.