Após ataques, ônibus em SC são escoltados

Florianópolis e Joinville também reduziram a circulação de transporte coletivo para evitar mais ações de criminosos

FLORIANÓPOLIS, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h03

Os ataques realizados por supostos integrantes da facção Primeiro Grupo da Capital (PGC) em Santa Catarina fez com que autoridades policiais e donos das empresas de ônibus em Florianópolis e Joinville determinassem uma espécie de toque de recolher. A circulação de ônibus foi reduzida e, em alguns casos, paralisada completamente durante a noite.

O objetivo da determinação era evitar novos ataques. A onda de violência começou no dia 30 e, desde então, 16 cidades foram alvo de 50 ataques, entre queima de ônibus, tiros contra policiais, viaturas e delegacias e incêndios criminosos em lojas. Só entre as 20h de anteontem e as 9h30 de ontem foram sete ataques em Camboriú, São José, Florianópolis, Itajaí, Navegantes, Palhoça e Joinville, segundo a Secretaria da Segurança Pública.

Na capital catarinense, após as 20h, a circulação de ônibus foi de acordo com a demanda e os veículos só saíam com escolta policial. A determinação era de que das 23h às 6h30 de hoje os coletivos não circulassem.

Em Joinville, a Polícia Militar começou ontem uma operação especial com o aumento do número de soldados e viaturas nas ruas. A cidade recebeu reforço da capital com a chegada de 12 soldados do Centro de Operações Especiais (Cope) após o serviço de inteligência descobrir que os criminosos intensificariam os ataques contra policiais.

Em Florianópolis houve uma queda acentuada no número de usuários dos transportes coletivo, segundo Marcos Espirito Santo, agente da empresa Canasvieiras. "Não sei se por medo ou por causa da redução de horários. Percebemos que estão usando o serviço aquelas pessoas que realmente necessitam", explica. "Tomara que acabe logo com isso e da melhor forma. A gente se sente insegura", disse a dona de casa Marta Real, de 59 anos.

Transferência. O governador Raimundo Colombo (PSD) disse ontem em entrevista coletiva que aceitou as vagas em presídios federais oferecidas pelo Ministério da Justiça e que elas serão ocupadas pelos presos de alta periculosidade e suspeitos de liderarem facções criminosas em unidades prisionais no Estado. "Estamos trabalhando integrados com o governo federal. Na quarta (amanhã) tenho uma audiência com o ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) com quem venho conversando pelo celular desde o início dos ataques", disse Colombo. "Temos de enfrentar com muito rigor estas manifestações criminosas. Não há inércia, não há omissão, não há descaso, há crise que precisa ser enfrentada e resolvida."

O governador também anunciou a realização de concurso público para contratação de 1.500 policiais militares, além da contratação de 60 oficiais e a realização de curso de aperfeiçoamento para mil homens do efetivo da PM. Também autorizou concurso público para contratação de 300 agentes penitenciários. / JÚLIO CASTRO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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