Após ataques, Bope não tem data para sair do Complexo do Alemão

Policiais fizeram uma varredura no bairro à procura de criminosos; três suspeitos foram detidos ontem

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2012 | 03h01

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar vai reforçar por tempo indeterminado o policiamento no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, onde, na noite de segunda-feira, traficantes mataram com um tiro de fuzil a soldado Fabiana Aparecida de Souza, de 30 anos, a cerca de 200 metros da sede da Unidade de Polícia Pacificadora Nova Brasília.

Ontem, dezenas de homens do Bope e do Batalhão de Choque percorreram as vielas à procura dos criminosos. Até o fim da tarde, três suspeitos foram detidos.

Os bandidos também metralharam a nova sede da UPP, inaugurada em 9 de julho - mesmo dia em que o Exército saiu dos Complexos da Penha e do Alemão. Pelo menos 12 tiros atingiram o prédio. Uma viatura também teve vidros estilhaçados.

Testemunhas disseram que os dois ataques aconteceram simultaneamente, por volta das 21h, e tiveram a participação de 12 criminosos. Um soldado da UPP disse que os bandidos saíram de um beco e efetuaram diversos disparos em direção a Fabiana. Um tiro de fuzil atravessou o colete à prova de balas e atingiu o peito da soldado. Após um lanche, ela retornava ao seu setor de policiamento, onde estavam três PMs da UPP.

"Estatisticamente, temos pouquíssimas ações de uso de fuzil em UPPs contra os policiais. E neste momento o colete era o adequado para esse tipo de serviço", disse o coronel Rogério Seabra, do Comando de Polícia Pacificadora (CPP).

Turnos. Enquanto o Exército atuou nos complexos, 800 homens faziam o policiamento da região por turno, segundo o Comando Militar do Leste.

Com a PM, o efetivo total aumentou, mas a quantidade de homens por turno caiu pela metade, segundo o CPP. Questionado se o número de policiais por turno seria aumentado, Seabra irritou-se: "O efetivo da polícia é muito maior do que o do Exército. É muito maior por turnos do que era do Exército. Você talvez não esteja amparado com os dados específicos. A nossa ação em UPPs é muito maior do que na cidade como um todo. A relação de policiais por habitante é maior. É adequado e sempre que for necessário, ampliaremos".

Em nota, o governador Sérgio Cabral (PMDB), que está em Londres, disse que "a política de pacificação, representada pela UPP, não tem volta, e será cada vez mais consolidada a ampliada".

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