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Após atacar d. Odilo, estudante agride juiz

Jovem atingiu magistrado durante audiência no plenário do Tribunal de Justiça Militar; ela foi detida e liberada após fiança

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2016 | 21h27

SÃO PAULO - A universitária Adriana Oliveira Santos, de 27 anos, foi presa na noite de quinta-feira, 31, após agredir o juiz Ronaldo João Roth, durante audiência no plenário do Tribunal de Justiça Militar em São Paulo. Há uma semana, a jovem já havia atacado o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, na celebração da missa de Páscoa na Catedral da Sé.

Na quinta, ela jogou livros na cabeça do magistrado, que não ficou ferido. Adriana foi liberada após pagar fiança. A polícia informou que Roth presidia uma audiência de rotina quando a universitária, que cursa o 1.º ano de Direito em uma universidade na capital, pediu para acompanhar a sessão. 

Durante os trabalhos, Adriana passou a interferir nas considerações dos participantes da audiência. Segundo registro da polícia, ela foi advertida por Roth, que pediu que ela permanecesse em silêncio, mas Adriana “bradava palavras desconexas” e foi retirada da sala.

Em seguida, ela retornou ao plenário e partiu em direção ao juiz. Adriana ultrapassou o cercado que separa a tribuna do plenário falando palavras desconexas, pegou dois volumes de um processo que estava na mesa do magistrado e jogou na cabeça dele. Ela foi contida por policiais militares, tentou se desvencilhar e recebeu voz de prisão em flagrante.

No 4.º Distrito Policial (Consolação), Adriana foi autuada por desacato, resistência e dano ao patrimônio. Após pagar fiança no valor de um salário mínimo, a jovem foi solta para responder as acusações em liberdade. A reportagem tentou contato, mas não houve retorno aos telefonemas.

A assessoria de imprensa do presidente do TJM, juiz Silvio Oyama, informou que foi determinada uma investigação para apurar o caso. Segundo a polícia, a universitária tem histórico de agressões. Ela teria atacado dois delegados e, no último dia 24, arranhou o rosto de d. Odilo Scherer.

Juíza. Na quarta-feira passada, a juíza Tatiana Moreira Lima foi atacada por um homem dentro do Fórum do Butantã, na zona oeste, minutos antes de iniciar uma audiência na qual ele é processado por agredir a ex-mulher no meio da rua.

Alfredo José dos Santos, de 36 anos, entrou no prédio pelos fundos carregando material explosivo. Ele ateou fogo em um dos corredores e correu em direção à sala da magistrada.

Segundo a polícia, Santos deu uma “gravata” em Tatiane e jogou gasolina no corpo dela. Com um isqueiro, ameaçava atear fogo. A negociação para libertar a juíza foi gravada e as imagens circularam nas redes sociais. O agressor foi rendido por policiais militares em um momento de distração.

Nas redes sociais, a juíza agradeceu ao apoio que recebeu dos colegas e disse que vai continuar a atuar nos processos de violência doméstica. “Uma pessoa só não pode apagar um trabalho que beneficia uma série de pessoas.”

Para a promotora Silvia Chakian, especialista em casos de violência doméstica, o episódio expõe “toda crueldade de violência que atinge milhares de mulheres que nem sempre é reconhecida pela sociedade e por integrantes do próprio sistema de Justiça”.

Na segunda-feira passada, o advogado Gerson Fernandes Varoli Aria deu socos no promotor Goiaci Leandro de Azevedo Junior durante audiência no plenário do Fórum de Carapicuíba. Os episódios de violência fez a presidência do TJ-SP convocar uma reunião para discutir o assunto.

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