Após assembléia, 95% dos ônibus de SP já voltaram a circular

Sem negociação, motoristas e cobradores prometem entrar em greve no próximo dia 9

Andressa Zanandrea e Solange Spigliatti, Jornal da Tarde e estadao.com.br

30 de abril de 2008 | 08h51

Cerca de 95% da frota dos ônibus da Capital já estava circulando por volta das 8 horas desta quarta-feira, 30, segundo informações da SPTrans. Os ônibus ficaram paralisados durante a madrugada por conta de assembléias do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo feitas em garagens de toda a cidade.   De acordo com a SPTrans, apenas os ônibus da viação Novo Horizonte circularam normalmente, assim como os veículos usados como lotação. Os terminais e pontos de ônibus ainda registravam um número maior de passageiros, segundo a SPTrans. A manifestação começou às 3 horas e só às 5 horas as linhas começaram a circular. A categoria reivindica um reajuste salarial de 5,5%, além de um aumento real de 5% no salário. Segundo a SPTrans, 1.200 linhas foram afetadas. Ainda não há um balanço sobre o número de passageiros prejudicados no período. Durante todo o dia, 5.500 milhões de pessoas utilizam o transporte coletivo em toda a cidade, que conta com 14.800 veículos, entre lotação e ônibus.   A categoria pode entrar em greve a partir do dia 9, caso as negociações de salário não avancem. No final da madrugada, eles fizeram assembléias simultâneas em frente às 29 garagens da Cidade, para falar sobre o reajuste salarial. O atraso não afetou significativamente a população, já acostumada a andar em lotações e ônibus cheios. Por volta das 5h30, os ônibus já circulavam normalmente em todos os pontos da Capital. É nesse horário que muitas pessoas saem para trabalhar. Antes de os ônibus começarem a circular, as lotações deram conta de transportar os passageiros.   Não houve alteração, segundo usuários, nos terminais A. E. Carvalho, na zona leste, João Dias e Santo Amaro e também no Largo Treze, na zona sul. O movimento se intensificou entre as 5h30 e as 6 horas, o que é considerado normal devido à demanda. Nas assembléias, os trabalhadores souberam como vão as negociações salariais que, segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, Jorge Isao Hosogi, o "Jorginho", estão paradas há duas semanas.   A data-base da categoria é 1º de maio. Eles reivindicam reajuste de 5,34% além de 5% de aumento real, além de melhorias em plano de saúde e alimentação, entre outros. O sindicato dos trabalhadores apresentou a lista de reivindicações em março, mas ainda não recebeu a contraproposta dos empresários. "Nós havíamos marcado duas reuniões com as empresas, mas até agora eles não se reuniram com os trabalhadores", disse Jorginho.   Na garagem da Viação Campo Belo, na Estrada de Itapecerica, na Zona Sul, cerca de 200 trabalhadores participaram da assembléia, que começou às 5h e durou menos de meia hora. Para segunda-feira, dia 5, está previsto protesto nos setores de manutenção das garagens, a partir das 10 horas. Na quinta, dia 8, será feita uma avaliação da comissão de negociação dos trabalhadores, às 16h, no sindicato. No dia seguinte, no mesmo horário e local, haverá uma assembléia geral da categoria, que pode decidir pela greve.

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