EDISON TEMOTEO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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Após assassinato de PM, grupo mata 18 e faz a maior chacina da história de SP

Bandidos em 2 carros e uma moto mataram 15 em Osasco e 3 em Barueri, no intervalo de 3h15; principal suspeita é vingança de PMs

Rafael Italiani, Alexandre Hisayasu, Juliana Diógenes e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Policiais militares são os principais suspeitos de executar a maior chacina da história do Estado de São Paulo, com 18 mortos e 6 feridos. Os ataques em série ocorreram na noite de quinta-feira, 13, em Osasco (15 mortos e 6 feridos) e Barueri (3 mortos), entre 20h30 e 23h45. A chacina seria uma vingança pelo assassinato do cabo da PM Avenilson Pereira de Oliveira, de 42 anos, morto no dia 7 com quatro tiros por dois ladrões ainda foragidos.

O secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, afirmou que as investigações das 18 mortes mostram que todos os ataques estão relacionados e “seguem um padrão”. O Estado montou ainda ontem uma força-tarefa, composta pelos Departamentos de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e da Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), pelo Instituto de Criminalística e pela Polícia Militar.

O Estado ainda flagrou agentes da Corregedoria da Polícia em diligências na cidade. O ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, conversou com Moraes e colocou a Polícia Federal à disposição do governo paulista.

Foram nove ataques em 3h15. Os mesmos veículos foram relatados e filmados por testemunhas em todos os endereços de Osasco. Um Peugeot cor prata foi visto em cinco lugares e uma motocicleta em outros três. Os assassinos eram pelo menos seis - quatro no carro e dois na moto. O primeiro crime aconteceu na Rua Antônio Benedito Ferreira, no bairro Munhoz Júnior. Ao todo, oito pessoas morreram e duas ficaram feridas. As ações se repetiram durante pouco mais de uma hora em outros sete endereços em Osasco.

Dez minutos depois de elas terem sido encerradas na cidade vizinha, tiveram início os dois ataques consecutivos em Barueri, a partir das 22h15. Ocupantes de um Renault Sandero mataram um homem de 29 anos na Rua Carlos Lacerda. Os dois últimos homicídios aconteceram em um bar na Rua Irene.

Câmeras de segurança gravaram a ação e imagens acabaram sendo distribuídas nesta sexta-feira pelas redes sociais. Elas mostram o grupo de assassinos chegando no Sandero. Os criminosos dominam todos no bar e perguntam quem tem antecedente criminal. Separam quem respondeu que sim e, na sequência, atiram. Ali, a mesma motocicleta participou de todos os ataques.

Os assassinos usaram armas calibres 380, .38 e 9 mm. Em alguns ataques, usaram toucas ninja e, em outros, os mesmos homens apareciam, segundo relatos de testemunhas, com os rostos à mostra. “Não descartamos a possibilidade de um único grupo ter repartido os ataques”, afirmou Moraes.

No bar onde houve a primeira ação, as paredes estavam marcadas por disparos de calibre 380. Na calçada, ainda havia cápsulas deflagradas. Questionado se as cápsulas coletadas são de armas exclusivas das Forças Armadas, o secretário Moraes, afirmou que somente as de 9 mm. “As demais, não. O 38 e a 380 são de uso normal, não são usadas pela PM. Não descartamos nenhuma hipótese.”

Até o início da noite de sexta-feira, 16 das 18 vítimas haviam sido identificadas. Alguns corpos aguardavam liberação no Instituto Médico-Legal. Era o caso de Eduardo Bernardino, de 26 anos, morto enquanto passava pela Avenida Eurídico da Cruz, em Osasco. A mãe, Ana, teve de ser amparada no IML.

Outras motivações. Apesar de o DHPP dar como certa uma vingança de policiais militares contra a morte de um colega de farda, o secretário disse que outros motivos como tráfico de drogas podem estar relacionados com as mortes. Uma das vítimas apresentava passagem por tráfico.

Entre os outras cinco vítimas com antecedentes criminais, havia quem respondeu a acusações que vão de roubo até Lei Maria da Penha (agredir a mulher). “Eram todos pais de família”, disse um homem que mora na região há 35 anos e não quis se identificar. “A gente fica com medo de sair na rua, porque não sabe o que vai acontecer.”

Depois de um dia inteiro de boatos sobre ataques nas redes sociais - e apesar de o governo ter reforçado o patrulhamento na região - à noite, até alunos da USP, na zona oeste, deixaram as salas mais cedo.

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