Marco Antônio Carvalho/ESTADAO
Marco Antônio Carvalho/ESTADAO

Após assaltos, jovem decide deixar a capital e voltar para o Ceará

Operador de máquinas de 26 anos vive em São Mateus, na zona leste, região com o maior aumento no número de registros

Bruno Ribeiro e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2016 | 05h00

A violência fez o operador de máquinas Márcio Pereira da Silva, de 26 anos, tomar uma decisão: no fim do mês, vai deixar São Paulo, onde vive há cinco anos, para retornar à cidade natal de Acopiara, município de 50 mil habitantes na caatinga cearense. "Emprego é mais difícil, mas pelo menos lá não sou assaltado com tanta frequência", disse o jovem em frente ao 49.º Distrito Policial, em São Mateus, zona leste da capital, região em que houve maior aumento no número de roubos do ano passado para cá; em 2016, foram 2.334 casos, dos quais dois foram contra Silva.

O mais recente aconteceu em setembro, quando estava caminhando na Rua Professor Pedro Antônio Pimentel e foi abordado por uma dupla em uma moto. Voltava do trabalho para casa e falava no celular com a noiva. O aparelho foi levado. "Apontaram a arma e pediram o celular. Saíram falando para eu não olhar nem para trás e só seguir andando", lembra o jovem. Na semana passada, tentava corrigir o número do IMEI registrado no boletim de ocorrência para que o seguro contratado pagasse o valor do aparelho.

A contratação do serviço ocorreu após o primeiro roubo em que haviam levado outro aparelho de Silva. Pagando R$ 17,99 por mês, o operador tentava amenizar o prejuízo em caso de uma nova ocorrência. "Da outra vez foi ainda mais grave, colocaram o cano da arma na minha nuca e saíram em um carro. Há dois anos já haviam levado uma moto minha. Não dá mais para ficar aqui. A gente luta tanto para conseguir e eles levam tão facilmente." 

Policiais que atuam na região confirmaram ao Estado que o modo de atuação criminosa costuma se repetir com ocorrências de duplas em motos ou bicicletas cujas principais vítimas são pedestres em horários das 6h às 8h e das 19h às 22h. Os agentes veem relação entre a quantidade recente de invasões de terrenos abandonados na área com o aumento da criminalidade.

Outro destaque negativo da capital também vem da zona leste, na área do 50º DP, no Itaim Paulista. Lá, o aumento dos crimes dessa natureza foi de 29% na comparação com o último ano. A polícia acredita que a proximidade com cidades da região metropolitana que têm maior número de casos e o fato de conviverem com um intenso fluxo diário de pessoas contribua para o acirramento da violência. 

A promotora de vendas Miriam Andrade, de 30 anos, disse evitar sair tarde do trabalho por acreditar que esperar no ponto de ônibus a torna presa fácil para os criminosos. "Depois das 19h já é perigoso. A gente sabe que se ficar vacilando no ponto, eles vão passar e te roubar", disse enquanto aguardava o transporte no bairro por volta das 15h na quarta-feira da semana passada. 

O presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Itaim Paulista, o advogado Dirceu Aparecido Ruiz, disse estar preparando requerimentos a ser direcionados à Secretaria da Segurança e ao governo do Estado pedindo reforço no policiamento da região. "A incidência é muito maior do que a registrada porque as pessoas acabam não indo à delegacia. A polícia aqui tem a maior boa vontade, mas acaba não tendo força para resolver. É necessário uma decisão política de enviar reforço em efetivo e viaturas", disse Ruiz.

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