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Após assalto, bandidos mantêm comerciante refém em casa

Ação terminou com a libertação da vítima sem ferimentos e 16 suspeitos presos; dois deles foram baleados e um terceiro quebrou o tornozelo

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2016 | 07h29
Atualizado 18 de novembro de 2016 | 20h22

SÃO PAULO - Um grupo de criminosos manteve uma comerciante refém na própria casa no Jardim João XXIII, próximo à Rodovia Raposo Tavares, na zona oeste da capital paulista, na manhã desta sexta-feira, 18. A ação terminou com a libertação da vítima sem ferimentos e 16 suspeitos presos. Dois deles foram baleados, e um terceiro quebrou o tornozelo durante a fuga. Sete armas, sendo seis fuzis, e 11 coletes balísticos foram apreendidos.

Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, os criminosos tentaram assaltar um caixa eletrônico no interior do Shopping Granja Vianna, em Cotia, na Grande São Paulo. Após explodir o equipamento, o grupo fugiu e trocou tiros com policiais militares.

Policiais civis da Delegacia de Investigações sobre Roubo a Banco fizeram um cerco para prender a quadrilha, que era especializada em explosões a caixas eletrônicos e investigada havia três meses. A polícia conseguiu monitorar o grupo e descobriu onde seria o ponto de encontro depois do ataque.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, os criminosos foram cercados e fugiram pela Rodovia Raposo Tavares e se refugiaram na residência de Lucimar Bendo, de 54 anos.

O Deic informou que 15 criminosos invadiram e renderam a comerciante. Além deles, foi preso Cléber Alcântara Barros, de 32 anos, dono da mecânica que emprestou o local para a quadrilha e a orientou a invadir a residência de Lucimar. Segundo as investigações, ele sabia quem morava no imóvel e que não haveria resistência.

Um dos suspeitos feridos foi o comerciante Elton Teodoro, de 34 anos, apontado pela polícia como o líder do grupo.

Em nota, o Shopping Granja Vianna informou que a tentativa de assalto foi frustrada e que o empreendimento estava fechado no momento da ocorrência.

"Não houve vítimas. O centro de compras vem colaborando com as autoridades para a resolução do caso." O estabelecimento ficou fechado até a finalização da perícia.

'Ficou todo mundo preso em casa', diz vizinha de casa invadida

Vizinhos do imóvel que foi invadido por bandidos no bairro João XXIII, na zona oeste de São Paulo, disseram que a rua onde ocorreu o conflito com a polícia pareceu "cenário de guerra". A rotina de  todos foi mudada - alunos não foram para a aula e trabalhadores ficaram em casa.

 

A pedagoga Fernanda Monteiro, de 32 anos, disse que acordou às 4h com o barulho dos tiros e depois não conseguiu mais dormir. "Peguei meus dois filhos e fomos para o quarto dos fundos. Logo pensei que estavam explodindo algum banco", disse.

Uma mulher de 46 anos, também vizinha, que pediu para não ser identificada, disse que os netos faltaram da aula e a filha não foi trabalhar. "Eles tinham de ter saído mais cedo, mas a polícia não deixou. Na escola nem teve aula", disse ela. 

O tiroteio atingiu todo o entorno do imóvel, embora não haja feridos entre os moradores. Antes de chegar ao imóvel da comerciante, os bandidos passaram por outra casa, que ficava ao lado, onde funciona uma pensão com três casas menores. Moradoras ficaram desesperadas ao perceber que havia invasores no local. "Eles tentaram bater na nossa porta para abrirmos, mas não deixamos", conta a cabeleireira Maria Raimunda, de 50 anos. Ela também não foi trabalhar por causa do tiroteio. 

"Fiquei duas horas trancada em casa. Nunca passei por isso na minha vida", contou. "Pensei que fosse assalto", relata a vizinha Edvânia Contreiras, de 28 anos. O dono do imóvel, Ademir Adauto, de 47 anos, teve prejuízos: os tiros causaram danos a duas caixas d'água, que precisaram ser trocadas, e telhas quebradas tiveram de ser substituídas. 

Quem se salvou dos tiros foi o comerciante Luciano Cardoso, de 35 anos. A mercearia onde trabalha, que fica na frente do imóvel invadido, só abriu às 10h. Marcas de tiro podiam ser vistas em diversos pontos do muro da mercearia e nas grades. No interior do comércio, ele se surpreendeu. "Um dos tiros atravessou toda a loja e estourou cinco sacos de macarrão. Se eu estivesse aqui, provavelmente teria morrido", conta.

Veja o nome dos presos e o histórico, segundo o DEIC:

01 - Líder Elton Teodoro, de 34 anos, passagens por roubo, furto e porte de armas

02 - Nilton Oliveira, de 33 anos, passagens por homicídio e roubo

03 - Alessandro dos Santos Lima, de 33 anos, passagens por furto, receptação e porte de armas

04 - Thiago Felipe Paim, de 29 anos, procurado, passagens por roubos

05 - Daniel Costa Nascimento, de 25 anos, passagens por furto e receptação

06 - Bruno Henrique Sá Fernandes, de 28 anos, procurado, passagens por roubo e porte de arma

07 - Robson de Oliveira, de 32 anos, passagens por formação de quadrilha e porte de arma

08 - Luiz Rafael Rodrigues de Lima, de 33 anos, tráfico de drogas, receptação e porte de arma

09 - Marçal Souza Sá, de 37 anos, passagem por roubo e porte de arma

10 - Guilherme Muniz Martins, de 27 anos, passagem por receptação

11 - Elvis Pessoa de Carvalho, de 27 anos, passagem por roubo

12 - Felipe Braga Medrado, de 28 anos, passagem por roubo

13 - Ricardo Vieira de Souza, de 46 anos, passagens por roubo

14 - Wilson Oliveira Couto, de 31 anos, passagens por furto, receptação e porte de arma

15 - Narciso Ferreira da Silva, de 33 anos, passagem por porte de arma

16 - Cléber Alcântara Barros, de 31 anos, sem passagem

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