Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

Após alagamentos, Doria recomenda que moradores evitem sair de casa

Governador de SP diz que planejamento de obras em infraestrutura não deve ser revisto com o temporal desta segunda, 10; em viagem a Dubai, Doria ganhou 'barquinho' de presente

Tulio Kruse*, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 11h58
Atualizado 10 de fevereiro de 2020 | 20h41

DUBAI - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), recomendou que moradores de áreas mais atingidas pelas forte chuvas no Estado evitem deslocamentos nesta segunda-feira, 10. Em viagem oficial aos Emirados Árabes Unidos, o governador ressaltou que o volume das chuvas tem aumentado nos últimos anos por causa de mudanças climáticas, e disse que não é possível “evitar por completo” os estragos com investimentos em infraestrutura.

“Evitar por completo não será, evidentemente, algo possível, já que a incidência de chuvas ao longo dos anos, a mudança climática, está impondo um volume de chuvas maior”, disse Doria, logo após um evento de inauguração de um escritório da agência de investimentos estadual, a Investe SP, em Dubai. 

Doria disse, ainda, que o planejamento para obras em infraestrutura foi revisto no ano passado e, por isso, não é necessário mudar o planejamento do governo após o temporal desta segunda. “No ano passado, nós tivemos chuvas internas, tivemos mortes também na região metropolitana. Fizemos isso no ano passado, não é de agora.”

 

Entre as medidas emergenciais que foram tomadas, ele disse que a Defesa Civil estadual tem trabalhado em conjunto com os órgãos municipais, e que áreas de risco tiveram o acesso restrito. Ele diz que moradores em áreas de risco de desmoronamento já estariam sendo alertadas pela Defesa Civil, através de mensagens de SMS, de que devem deixar suas casas. 

“Tomo aqui a iniciativa de sugerir às pessoas que evitem deslocamentos, exceto aqueles absolutamente necessários, porque o deslocamento nas ruas, com a intensidade das chuvas, põe em risco as pessoas”, recomendou. 

O governador em exercício, Rodrigo Garcia, sobrevoou na terade desta segunda-feira, 10, as áreas alagadas das marginais Pinhe9iros e Tietê e também a área que teve deslizamentos em Osasco. De acordo com o governo do Estado,  as regiões do Vale do Ribeira, Região Metropolitana de São Paulo, Osasco, Baixada Santista e Alto Tietê foram as mais atingidas pelas chuvas. Até o momento, os municípios de Botucatu, Laranjal Paulista e Taboão da Serra decretaram situação de emergência.

Em todo o Estado, já foram contabilizados 56 desabrigados e 190 desalojados. 

Em Dubai, Doria ganha 'barquinho' de presente e projeta R$ 30 bilhões de investimentos de fundos árabes em São Paulo

Enquanto a cidade de São Paulo teve a maior chuva registrada nos último 30 anos, Doria recebeu a estatueta de um barco nesta segunda-feira, 10, durante a troca de presentes de uma cerimônia. A homenagem foi entregue pelo sultão Ahmed bin Sulayem, CEO da empresa DP World, que administra terminais portuários nos Emirados e no Brasil.

"Com este barco, vamos velejar a Dubai muitas vezes a partir de agora”, disse o governador, após receber o barco. O evento celebrou a inauguração de um escritório da agência de investimentos do governo estadual, a Investe SP, em Dubai. Doria disse que fundos de investimento árabes têm interesse em investir até R$ 30 bilhões, mas ainda não há um compromisso oficial dos estrangeiros com a aplicação do valor – que inclui não só a participação em concessões estaduais, mas também investimentos privados em empresas brasileiras, segundo as estimativas do governo. Questionados, o governador e secretários não explicaram como chegaram à estimativa de R$ 30 bilhões.

“Não há ‘aceno’, nem é possível haver um aceno por parte dos fundos. Os fundos participam dos leilões, e os leilões não têm vencedores prévios. Leilão é leilão”, explicou o governador João Doria. “Há uma decisão desses fundos de priorizarem, na América Latina, o Brasil. Isso é fato, isso é real. E, no Brasil, o Estado que mais tem projetos de privatização é São Paulo.”

Após reuniões com dois dos principais fundos de investimento soberanos dos Emirados, Adia e Mubadala, Doria também anunciou que os árabes têm interesse na concessão do Autódromo de Interlagos, que deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano. Apesar de a concessão ser uma responsabilidade da Prefeitura de São Paulo, administrada por Bruno Covas (PSDB), o governador disse que seu governo está “solidário” ao programa de privatização municipal. Assim como no caso do investimento de R$ 30 bilhões, não há um compromisso formal com o investimento.

“Um dos fundos com interesse (na concessão de Interlados) é exatamente o Mubadala. Isso não quer dizer que eles farão efetivamente o ‘pitch’, ou de quanto farão”, disse Doria. “Mas que têm interesse, têm, e colocaram isso de maneira clara.”

Esta é a segunda vez que Doria vem aos Emirados Árabes Unidos desde que se elegeu a um cargo no Executivo. A primeira vez foi em 2017, ainda nos primeiros meses como prefeito da capital paulista. Doria teve reuniões com os mesmos fundos de investimento e a concessão de Interlagos, assim como do complexo do Anhembi e do estádio do Pacaembu, já estavam entre os principais ativos que a administração queria conceder. 

O secretário estadual de Relações Exteriores, Julio Serson, que acompanhou Doria em 2017 e também nesta viagem, minimizou o fato de a privatização ter sido tema reincidente nos encontros com os mesmos fundos de investimento. “Essas concessões são um processo contínuo, não se resolve isso de um dia para o outro”, disse Serson. “Não acho que ele veio aqui pela segunda vez para falar dos mesmo assuntos. Ele veio aqui para falar de vários assuntos, inclusive desses.” 

* O repórter viajou a convite do governo estadual de São Paulo e da Investe SP

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