Fantástico/TV Globo/Reprodução
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PMs são afastados após policial pisar em pescoço de mulher durante ação em SP

Doria diz que conduta de agente em Parelheiros, no extremo da zona sul da capital, é 'inaceitável' e Secretaria da Segurança Pública afirma não compactuar 'com desvios de conduta'

Redação, O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2020 | 09h49
Atualizado 27 de julho de 2020 | 11h03

SÃO PAULO - Policiais militares filmados agredindo uma mulher em Parelheiros, no extremo sul da capital, foram afastados e o governador João Doria (PSDB) classificou a abordagem como "inaceitável" após a exibição das imagens no Fantástico, da Rede Globo, na noite deste domingo, 12. Na ação, um dos policiais chega a pisar no pescoço da comerciante e a arrastá-la.

Segundo o boletim de ocorrência do caso, a abordagem policial realizada após uma reclamação de que um bar estaria funcionando durante a quarentena. O caso ocorreu no dia 30 de maio, quando o funcionamento desse tipo de estabelecimento ainda não era permitido. No BO, consta a informação de que havia quatro clientes no local e um deles tentou fugir, iniciando uma confusão.

"Tinha um carro na frente do bar com som alto. Ela já tinha pedido para ele abaixar o som, não sei se deu tempo de ele obedecer. Ela viu uma abordagem bastante truculenta e um dos rapazes que estava sendo agredido é conhecido dela, ele frequentava o local. Ela pediu para que o policial parasse, porque o rapaz estava quase desmaiado, mas começaram a agredi-la também", diz Felipe Pires Morandini, advogado da comerciante.

Em entrevista ao programa de televisão, a mulher, de 51 anos, conta que foi empurrada na grade do bar, levou três socos e teve a tíbia quebrada ao levar uma rasteira.

Em uma das cenas, a mulher aparece deitada no chão com o policial pisando em seu pescoço. Depois, ela é algemada e arrastada para uma calçada. Já na calçada, a comerciante é novamente imobilizada pelo pescoço. Desta vez, o policial usa o joelho.

Ao Fantástico, o policial informou que um colega foi agredido pela mulher com uma barra de ferro e, por isso, a comerciante foi contida. Ele afirmou ainda que a ação "foi um meio necessário". no boletim de ocorrência, os policiais informaram que a comerciante apareceu novamente para atacá-los usando um rodo. A mulher nega.

"O policial pisou no pescoço dela, ela foi arrastada pelo asfalto e chegou a desmaiar quatro vezes. Ela não foi para a delegacia no mesmo dia que os outros, porque precisou ir para o hospital e receber atendimento de emergência. O primeiro esforço é defendê-la das acusações de que ela saiu descontrolada com uma barra de ferro. Os policiais falaram, mas o vídeo desmente. Infelizmente, é mais uma ação truculenta em um bairro periférico", afirma o advogado.

Morandini disse que ela ainda se recupera das agressões. "Ela está bastante traumatizada, por todos os traumas psíquicos que sofreu, pela recuperação médica e fisioterapia para recuperar a tíbia, que foi fraturada e precisou passar por cirurgia."

Nas redes sociais, o governador João Doria disse que as cenas "causam repulsa". "Inaceitável a conduta de violência desnecessária de alguns policiais. Não honram a qualidade da PM de SP".

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que um inquérito policial militar (IPM) foi instaurado em 30 de maio e que os policiais já foram afastados. Eles vão ficar fora das atividades operacionais até o fim das investigações.

"A mulher mencionada pela reportagem, após liberação médica, foi apresentada à autoridade policial, no dia 31. Informada sobre seus direitos, ela decidiu permanecer em silêncio e se pronunciar apenas em juízo, assim como os outros dois homens detidos no dia anterior. Todos permaneceram à disposição da Justiça. O caso também é investigado por meio de inquérito pelo 25° DP, responsável pela área dos fatos."

A secretaria disse ainda que "não compactua com desvios de conduta de seus agentes e apura rigorosamente todas as denúncias". Informou também que, desde o dia 1º, policiais militares de todos os níveis hierárquicos estão participando de um treinamento para "reforçar os conhecimentos e técnicas da instituição.

A medida foi anunciada por Doria no mês passado, em meio ao recorde de letalidade e denúncias de violência policial.

George Floyd

O tipo de imobilização usada no caso de Parelheiros tem sido alvo de críticas principalmente após a morte do americano George Floyd, em Minnesota, nos Estados Unidos, em maio.

Ele foi asfixiado por um policial que prendeu seu pescoço com o joelho por quase nove minutos. A ocorrência desencadeou protestos em várias partes do mundo.

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