Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Após adiamento na manhã, Sabesp entrega obra contra crise

Governo teve de superar vazamentos de última hora para manter prazo de entrega da transposição da água da Billings para Alto Tietê

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2015 | 15h17

Atualizada às 22h30

RIBEIRÃO PIRES - Após reparos de última hora em vazamentos na tubulação, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), conseguiu inaugurar, no fim da tarde desta quarta-feira, 30, a transposição de água da Represa Billings para o Sistema Alto Tietê, a principal obra emergencial para evitar o rodízio no abastecimento da Grande São Paulo neste ano.

Alckmin destacou que, apesar dos atrasos – a obra havia sido prometida por ele para maio –, a transposição foi concluída em “tempo recorde”, após quatro meses de construção. Ela vai beneficiar cerca de 1,2 milhão de pessoas na porção leste da Grande São Paulo, além das zonas norte e leste da capital e dos municípios de São Caetano do Sul e Guarulhos. “É um grande reforço. É como ter água para uma cidade maior do que Campinas”, afirmou. 

A obra vai levar 4 mil litros por segundo do Sistema Rio Grande, braço limpo Billings, no ABC paulista, que está cheio, para a Represa Taiaçupeba, em Suzano, onde fica a estação de tratamento do Sistema Alto Tietê, responsável por abastecer cerca de 4,5 milhões e que tem apenas 15% da capacidade. “Eu diria que o rodízio está descartado, até porque agora começa o período chuvoso e nós temos uma reserva grande”, afirmou o governador Alckmin.

Após a recuperação do Alto Tietê, o objetivo é usar essa água para atender bairros que ainda são abastecidos pelo Sistema Cantareira. Técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) disseram que, em até dez dias, a obra deve operar a pleno vapor, transferindo os 4 mil litros por segundo do Rio Grande por meio de 11 km de tubulações até o Rio Taiaçupeba Mirim, que deságua no Alto Tietê. Uma obra complementar, que vai transferir água do braço do Rio Pequeno para reforçar a exploração do Rio Grande, deve ser concluída em outubro, segundo Alckmin.

Vazamento. A assessoria do governador havia marcado a inauguração da obra no Rio Grande para as 9h30, em Ribeirão Pires, no ABC, mas o evento foi adiado em cima da hora, após a Sabesp detectar dois vazamentos na junta de dois tubos no trecho da construção em Rio Grande da Serra. A Sabesp informou que os problemas ocorreram durante o processo de carregamento da tubulação, ainda de madrugada, e usou mergulhadores para fazer um dos reparos, que só foram finalizados por volta das 14 horas.

O problema chegou a ameaçar a entrega da obra ainda em setembro, conforme a última promessa de Alckmin. Mas o governador insistiu que o evento ainda ocorresse na quarta-feira. Às 17h23, ele descerrou a placa de inauguração da obra, que custou R$ 130 milhões, e iniciou a entrevista coletiva dizendo: “Ainda é 30 de setembro”.

OO secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, disse que é comum haver alguns vazamentos assim que uma tubulação vazia é carregada de água e descartou o risco de que o problema se repita. “O corpo técnico da Sabesp é excelente e esse problema já foi equacionado”, disse.

Crítica. No evento, Alckmin ouviu críticas do vereador Cleson Alves de Sousa (PT), de Rio Grande da Serra, que se queixou da falta de contrapartida ao município por causa da obra. “Não somos contra matar a sede de São Paulo, mas qual vai ser a contrapartida financeira e ambiental para o nosso município, que é reserva ambiental e não pode ser industrializado?” O governador disse que responderia ao vereador mais tarde.

Na semana passada, o Estado revelou que a transposição de água da Billings poderá ser suspensa dependendo do nível de contaminação da represa por cianobactérias (algas), que se formam a partir do lançamento de esgoto no manancial. A suspensão do bombeamento está prevista em plano de contingência elaborado pela Sabesp em conjunto com a Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) e o Centro de Vigilância Sanitária do Estado. Segundo a Sabesp, a possível suspensão não vai afetar o abastecimento de água.

A transposição ainda é questionada na Justiça, em ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual, que apontou falhas no licenciamento ambiental da obra. O mérito do caso ainda não foi julgado. Ontem, a Sabesp anunciou que vai usar pela primeira vez gás natural para alimentar as bombas de captação de água da represa em vez de óleo diesel.

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