Após 99 anos no centro, Conservatório de SP é desapropriado

Prefeitura conseguiu a posse do imóvel, para que na região seja criada a Praça das Artes

Renato Machado, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2008 | 17h34

Após estourar com um pé-de-cabra o cadeado do portão, a Prefeitura tomou posse oficialmente neste sábado, 28, do prédio onde por 99 anos funcionou o Conservatório Dramático Musical de São Paulo. Desde 2006, quando um decreto do então prefeito José Serra determinou a desapropriação do local para a construção da Praça das Artes, a instituição e o poder público iniciaram uma batalha na Justiça que terminou no início deste mês, quando a 12ª Vara da Fazenda Pública decidiu em favor do município. Um depósito em juízo de R$ 4,1 milhões já havia sido feito para que fosse possível assumir o imóvel.   No final da manhã, oficiais de justiça e fiscais do município estiveram no local para cumprir a decisão. Dois caminhões da subprefeitura da Sé também entraram no estacionamento do prédio, mas saíram logo em seguida. Segundo o diretor do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), Walter Pires, eles foram embora vazios, pois iriam transportar os instrumentos para algum local designado pelos diretores do Conservatório, mas nenhum deles esteve presente. A entrada de outras pessoas no prédio, inclusive jornalistas, foi barrada por policiais militares e da guarda municipal.   Funcionários do DPH e da secretaria municipal de Cultura permaneceram a parte da tarde analisando as condições das partituras, livros e anotações de músicos que passaram pela instituição. Ainda não foi decidido se o material irá permanecer no prédio ou se irá para o Teatro Municipal. Um outro decreto de Serra, também de 2006, declarou de utilidade pública todo o acervo da instituição. Walter Pires diz que o material se encontra e péssimo estado e será melhor utilizado pela prefeitura.   Os diretores do Conservatório souberam da ocupação da prefeitura, mas preferiram não comparecer ao local para evitar desgastes. Na segunda-feira, eles irão se reunir para decidir o futuro da instituição. Já está certo que as matrículas dos alunos serão suspensas e o vestibular que seria realizado em julho será cancelado. A reunião, no entanto, ainda não tem um local definido para acontecer.

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