Após 9 meses, SP tem nova chacina

Três homens foram mortos e um ficou ferido ontem em Itaquera, na zona leste; polícia encontrou drogas e cápsulas de bala no local

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2012 | 03h01

Depois de nove meses e dez dias, a capital voltou ontem a registrar uma chacina. Foram três mortos e um ferido na Vila Carmosina, em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Os responsáveis pelo crime conseguiram fugir e, até as 20 horas de ontem, ninguém havia sido preso. A polícia suspeita de que os assassinatos foram motivados por acerto de contas envolvendo tráfico de drogas.

Segundo testemunhas, as vítimas estavam na frente de casa, na Rua Palma-Sola, por volta da meia-noite, quando foram abordadas pelos atiradores. O supervisor de vendas Adilson Costa, de 47 anos, e mais dois homens não identificados foram mortos no local. Em uma calçada perto dali, Marcelo Roberto Rossignolli, de 34 anos, foi encontrado com ferimentos e levado ao Hospital Santa Marcelina. Segundo os policiais, ele não quis falar sobre o ataque.

No local, a polícia encontrou um cachimbo artesanal, drogas e dez cápsulas de bala calibre .40. É a mesma munição usada pela Polícia Militar em São Paulo. "As vítimas estavam bebendo na frente de casa quando aconteceu o crime. Fomos pela manhã em oito homens até lá e encontramos bastante sangue no quintal e na calçada", afirmou o delegado Roberto Gonçalves, titular do 32.º Distrito Policial (Itaquera), responsável pela área onde ocorreu o crime.

O caso foi registrado inicialmente no 22.º DP (São Miguel Paulista), mas a investigação contará com apoio da 3.ª Delegacia (de chacinas e latrocínios) do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. "Espero que esse crime seja um fato isolado", afirmou o delegado Luiz Fernando Lopes Teixeira, responsável pela delegacia.

Histórico. Até ontem, a última chacina na capital havia sido registrada em 7 de maio. Na ocasião, um grupo de justiceiros da Vila Prel, na área do 37.º DP (Campo Limpo), na zona sul, matou três rapazes com idades entre 20 e 25 anos por vingança.

Em 2011, a polícia registrou três chacinas em toda a capital. Foi o menor número em 12 meses desde 2001, quando foram registrados 43 casos. Com exceção de 2006, ano dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), a tendência é de queda nesse tipo de crime desde o início da década passada. Foram 208 casos desde então, a maioria motivada por vingança.

A prisão de policiais militares envolvidos em grupos de extermínio, a redução da tensão entre facções criminosas e o mapeamento de áreas de ocorrência colaboraram para a queda no número de chacinas.

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