Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Após 9º arrastão em restaurante neste ano, comerciantes reforçam segurança

Ladrões armados com pistolas e até metralhadora levaram joias, relógios e celulares de clientes do Galeto''s da Alameda Santos

Bruno Lupion e Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

16 Março 2011 | 00h00

Armados com metralhadora e pistolas, quatro ladrões fizeram anteontem o nono arrastão a restaurantes neste ano em São Paulo. O alvo, desta vez, foi o Galeto's na Alameda Santos, em Cerqueira César. Os outros casos foram registrados em Pinheiros e na Vila Madalena, zona oeste. Neste último bairro, donos de estabelecimentos estão reforçando a segurança, instalando câmeras e contratando vigias. Até agora, ninguém foi preso.

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mais imagens Toda a ação na Alameda Santos foi filmada

A invasão ao Galeto's aconteceu pouco antes da meia-noite. Os ladrões renderam os 15 clientes que jantavam no local e recolheram 11 celulares, 37 cartões bancários, 3 relógios, 2 bolsas, 1 notebook e 2 folhas de cheque.

A psicóloga Cláudia Pinto, de 42 anos, levou duas coronhadas de um dos criminosos ao se recusar a parar de cantar uma música religiosa. "Comecei a cantar o hino e o ladrão mandou parar. Continuei, e ele me agrediu. Não parei, e ele me agrediu de novo. Depois, arrancou uma corrente que eu levava no pescoço."

Cláudia havia ido ao local com amigos do trabalho após um evento. A supervisora de vendas Talita Lorenzi, de 26 anos, sua colega, teve bolsa e celular roubados. "Eles levaram as carteiras e tudo de valor que estava em cima das mesas."

A ação durou três minutos. No fim, os ladrões entraram em um Vectra e fugiram. A Polícia Militar chegou pouco depois, após ser avisada por uma testemunha. "Foi surpreendente porque a Alameda Santos é uma área comum de passagem de viaturas", afirmou o tenente Cleodato Moisés do Nascimento, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital. "Percebe-se que esse crime foi estudado, porque ninguém vai chegar aleatoriamente ali e praticar um roubo." Procurada, a administração do Galeto's não quis se pronunciar.

Segurança. Na Vila Madalena, bairro que registrou quatro arrastões neste ano (veja quadro abaixo), os proprietários de restaurantes estão aumentando a segurança dos estabelecimentos. O Rothko, na Rua Wisard, é um deles. A casa de culinária japonesa, inaugurada há quatro meses, foi roubada em 23 de fevereiro. "Havia clientes aqui. Foi horrível. Agora, contratamos segurança particular e também estamos pesquisando preços para instalar as câmeras", diz a gerente, que não quis ser identificada.

"Assim que encontrarmos o melhor preço vamos instalar as câmeras de segurança", diz Ricardo da Costa, de 24 anos, dono do Bar do Betinho, na esquina das Ruas Wisard e Girassol, alvo de dois roubos e uma tentativa de arrombamento, em 2000 e há um ano e meio. Além disso, ele decidiu encerrar as atividades mais cedo. "Antes fechávamos às 19 horas e, agora, quando começa a escurecer, vamos embora. E os garçons ficam espertos com a rua. Se percebem alguma movimentação estranha, pedimos para o cliente não sair ou chamamos a polícia", diz.

Entidades do setor também estão se mobilizando. "Anos atrás, um assalto ou outro acontecia, mas hoje se tornou mais constante", afirmou o presidente do Conselho Nacional de Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Joaquim Saraiva. "Temos agora de evitar que isso continue e piore."

A entidade promoveria uma reunião na noite de ontem para discutir o assunto. "Defendo mais vigilância nessas áreas afetadas, mas não de segurança privada. Isso é uma questão de segurança pública. Temos de parar de transferir as responsabilidades governamentais ou municipais para os particulares."

O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo vai encaminhar um ofício à Secretaria de Segurança Pública. "Não se trata de solicitar o favorecimento para um setor específico, porque os bandidos não estão atrás apenas de nossos caixas, mas dos clientes", disse o diretor do sindicato, Edson Pinto. / COLABOROU MARCELA SPINOSA

CRONOLOGIA

Na mira dos criminosos

12 de fevereiro

Às 23h30, quatro ladrões entraram no Sakkana Suji, na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, pegaram cartões, telefones, relógios de clientes e fugiram num Toyota Corolla.

13 de fevereiro

Duas horas depois, o Kioku Japanese Food, na Rua Lacerda Franco, na Vila Madalena, foi alvo de quatro homens que fugiram em um Honda CR-V.

23 de fevereiro

Rothko, na Rua Wizard, Vila Madalena, é invadido por cinco ladrões, que recolheram R$ 4 mil, garrafas de uísque, cheques, cartões e celulares.

24 de fevereiro

Quatro homens entraram no La Trattoria, na Rua Antônio Bicudo, em Pinheiros, e levaram joias, iPhones e R$ 615 e fugiram em um Fiesta.

2 de março

Quatro homens fizeram arrastão num restaurante na Mourato Coelho, na Vila Madalena.

3 de março

Restaurante japonês na Rua Mateus Grou, em Pinheiros, foi atacado.

8 de março

Ladrões fazem arrastão na Francisco Leitão, Pinheiros.

9 de março

Outro restaurante japonês é alvo de bandidos na Vila Madalena - desta vez, na Rua Jericó.

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