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Após 6 meses, roubo cresce 3,7% em SP

Aumento ocorreu em todas as regiões do Estado; homicídios registraram queda de 12,3%, e latrocínios permaneceram estáveis

Bruno Ribeiro e Marco Antonio Carvalho, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2015 | 21h54

SÃO PAULO - Os registros oficiais de roubos voltaram a crescer no Estado de São Paulo no mês de outubro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, após seis meses de queda. O aumento foi de 3,71% - de 26,1 mil para 27 mil casos. O fenômeno foi causado especialmente pelos registros da Grande São Paulo, que teve, sozinha, um aumento de 16,16%. Outro dado importante foi a redução dos homicídios - queda de 12,36% em relação a outubro de 2014. Ao todo, 304 pessoas entraram nas estatísticas como vítimas de assassinatos no Estado. 

No caso dos roubos, houve crescimento em todas as regiões, segundo informou nesta quarta-feira, 25, o secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes. Na cidade de São Paulo, o aumento foi em ritmo menor, de 1%, variando de 13.595 registros em 2014 para 13.730 em outubro deste ano. Já no interior do Estado, dado que inclui o litoral, a variação foi de 3,59% na comparação com o último mês.

Diante do crescimento, o secretário preferiu destacar as estatísticas acumuladas do ano, que levam em conta os dez meses entre janeiro e outubro, que mostram uma queda de 3,55% no Estado na comparação com o mesmo recorte, de dez meses, do ano passado. 

“Esse é o primeiro mês de alta, então ainda precisamos observar se é uma tendência ou não”, afirmou o secretário durante entrevista convocada para a divulgação dos dados. “Os número são puxados por um aumento maior na Grande São Paulo. A Polícia Civil fez, no dia 22 de outubro, uma grande operação, com 1.007 policiais, de todas as seccionais, nessa região”, disse o secretário.

Moraes prometeu ainda que o policiamento de rua será reforçado neste mês e em dezembro, época de festas de fim de ano, em que o consumo aumenta. “Devemos colocar 2.815 policiais recém-formados nas ruas”, declarou.

Os latrocínios, assaltos que terminam com o assassinato da vítima - e são, assim, crimes relacionados a roubos - tiveram registro de três casos a mais em outubro deste ano, em relação ao mesmo mês de 2014. Foram 36 ocorrências em outubro de 2014 e 39 no último mês. Na capital, houve redução de 17 para 14 casos, na comparação entre os dois meses. 

Mortes. O número de homicídios registrados no Estado já havia sido divulgado na segunda-feira pelo governador Geraldo Alckmin. Eram dados tidos como positivos para o governo: redução de 20,6% no Estado, caindo de 383 ocorrências deste crime em outubro de 2014 para 304 no mês passado. 

Na capital, a redução foi de 112 para 69 registros, segundo o secretário, que comemorou: “É a menor taxa já registrada, rompendo pela primeira vez o índice de 9 casos para 100 mil habitantes. Tivemos no último mês uma taxa de 8,68 mortes para cada 100 mil habitantes na capital”, disse o secretário.

Especialistas em segurança pública, no entanto, vêm questionando a forma como o Estado tem divulgado os dados estatísticos da Segurança Pública. “Os dados em si já são muito problemáticos, com mudanças de critérios, de metodologia, de agrupamento das informações, o que compromete uma análise de série histórica, que é o mais importante para avaliarmos o andamento das políticas públicas e verificarmos se há alteração ou não nas técnicas”, disse a socióloga Camila Caldeira Nunes Dias, da Universidade Federal do ABC (UFABC). 

“Essa mudança tem um efeito negativo, mas há também efeito negativo na divulgação dos dados. A gente percebe uma seletividade dos dados e não consegue pensar em uma explicação para esse fatiamento da divulgação que não seja confundir, para acentuar alguns dados melhores e não revelar, pelo menos em determinado momento, dados que não são tão bons para o governo”, conclui. 

 

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