Após 5 mortes em 25h, SP cria delegacia de latrocínio

Última vítima foi o comerciante Antônio Chon, que levou um tiro na frente dos filhos, de 5 e 13 anos, na zona leste

Camilla Haddad, Jornal da Tarde

03 de agosto de 2011 | 22h27

SÃO PAULO - Após o registro de cinco mortes em assaltos na capital e na Grande São Paulo em 25 horas, a Polícia Civil anunciou nesta quarta-feira, 3, a criação de uma delegacia especializada em latrocínios (roubo seguido de morte). A última vítima assassinada por ladrões foi o comerciante Antônio Seyn Chon, de 35 anos. Ele levou um tiro na frente de seus filhos, de 5 e 13 anos, na zona leste da cidade.

Os números desse tipo de crime têm aumentado na capital. De janeiro a junho deste ano, foram registrados 46 casos. Em igual período de 2010 houve 41 latrocínios. No Estado, as ocorrências no primeiro semestre deste ano chegaram a 161.

Segundo a polícia, em cerca de 30% dos latrocínios os ladrões exigiam o veículo ou a moto da vítima.

Segundo a Polícia Civil, a nova delegacia de latrocínios vai funcionar na sede do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital. A polícia não soube informar qual será o delegado responsável pela unidade.

O coronel da reserva Rui César Melo, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, avalia que o combate especializado é fundamental para a redução de determinado crime. "Observamos que priorizar o combate ao homicídio, por exemplo, fez esse tipo de crime cair. Uma investigação mais apurada colabora para a queda dos índices", diz ele, que esteve à frente da PM a partir de 1999, ano em que houve pico de homicídios. Os índices começaram a cair a partir de 2000 - Melo ficou até 2002. O coronel ainda ressalta outras três medidas para reduzir os latrocínios: o mapeamento dos casos, investimento na busca de armas e orientação à população.

O major Marcel Lacerda Soffner orienta as vítimas a nunca reagir. Segundo ele, o comportamento da vítima é um dos pontos importantes durante um assalto - qualquer movimento, mesmo sem intenção de reagir, pode ser fatal diante do bandido.

Casos. No caso de ontem, o comerciante Antônio Seyn Chon jogava videogame com os dois filhos na sala da casa da família, na Vila Progresso, quando cinco homens encapuzados entraram no imóvel. Eles exigiram as chaves do cofre e do Chevrolet Captiva de Chon. Como não conseguiram, um dos bandidos apontou a arma para o filho mais velho da vítima, que tentou defendê-lo. Chon foi baleado e morreu.

Outro latrocínio registrado ontem aconteceu em Guarulhos, na Região Metropolitana. O aposentado Joselito Silva Reis, de 69, foi abordado por bandidos ao sair de um banco. Seu amigo, o técnico em eletrônica Maílson Martinho de Aguiar, de 21, tentou defendê-lo. Ambos levaram tiros e morreram.

Na terça-feira, o guarda-civil Daniel Silva, de 40 anos, estava em um mercado na zona sul de São Paulo quando aconteceu um assalto. Ele morreu após ser baleado pelos bandidos. No mesmo dia, Oswaldo Pereira, de 40, dono de um bar na Lapa, foi morto na frente da filha após entregar um notebook a ladrões.

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