Após 4 dias, polícia encontra na Bahia corpos de 5 estudantes desaparecidos

Quatro deles estavam em carro dentro do Rio Macuri e um ao lado; principal hipótese é que o veículo tenha despencado de ribanceira

CÍNTIA BRINGHENTI , ESPECIAL PARA O ESTADO , VITÓRIA, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2012 | 03h33

A Polícia Civil encontrou, no início da noite de ontem, o carro com os corpos dos cinco jovens desaparecidos desde sexta-feira, 20, quando seguiam de São Mateus, no Espírito Santo, para o sul da Bahia. O veículo foi localizado a 2 km do posto de gasolina onde os jovens foram vistos pela última vez.

De acordo com fontes da Polícia Rodoviária Federal, o automóvel foi localizado próximo de uma ribanceira, no Rio Mucuri, já em território baiano, embaixo de uma ponte que liga a BR-101 à divisa com o Espírito Santo. Um dos corpos, não identificado, foi encontrado do lado de fora do veículo e resgatado pelos bombeiros. Segundo a polícia, seria de um homem.

Outras informações, repassadas pelo tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia, Ivanildo Silva, destacam que a região onde foi encontrado o carro é um conhecido ponto de acidentes - sobretudo por causa das curvas acentuadas da estrada. Outra tragédia com cinco mortos teria sido registrada no mesmo local, ontem. Chegamos até o veículo depois que um cidadão passou às margens da rodovia e viu um carro na ribanceira, dentro do rio. Imediatamente, ele ligou para a polícia e nós fomos até o local", disse o coronel Silva, ao Jornal da TV Vitória, da Rede Record de Televisão.

A polícia já confirmou que a placa do carro, submerso até a metade, próximo da margem, é dos jovens desaparecidos. A suspeita é de que o veículo tenha caído da ribanceira, que tem cerca de 30 metros.

Uma equipe da Polícia Rodoviária Federal do Espírito Santo seguiu para a região e deve auxiliar no resgate dos corpos. Na manhã de ontem, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp-ES) chegou a divulgar que os corpos dos estudantes haviam sido encontrados em Nova Viçosa (BA), mas voltou atrás e disse que era boato. Segundo a secretaria, a informação foi passada pela Polícia Militar da Bahia, que, por sua vez, recebeu denúncia anônima. As polícias de Espírito Santo e Bahia realizavam as buscas por terra e com helicópteros desde domingo.

Vítimas. Os universitários Amanda Oliveira, de 22 anos, Izadora Ribeiro, de 21, Marllonn Amaral, de 21, Rosaflor Oliveira, de 24, e André Galão, de 28, estavam em um Fiat Punto de cor bege, placa ODC 6985, a caminho de Prado, na Bahia, onde iriam participar da festa de aniversário da mãe de Izadora. No sábado, eles não se comunicaram mais com os familiares e todas as tentativas de ligar para os telefones celulares caíam na caixa postal. "Todos os celulares ficaram fora de área, apesar de todos os meninos terem comunicado que estavam indo às 19 horas na sexta-feira para Prado", afirmou a mãe de Amanda.

Segundo o delegado titular da Superintendência de Polícia do Interior do Espírito Santo, Danilo Bahiense, eles teriam sido vistos vivos, pela última vez, em um posto na cidade de Mucuri. "Funcionários (de um posto de gasolina) confirmaram que os jovens estiveram no local", disse. A polícia chegou a trabalhar com todas as hipóteses, inclusive roubo. O delegado ressaltou que o namorado de uma das universitárias desaparecidas prestou depoimento ontem. "Ele não acrescentou nada além daquilo que já havia falado. O rapaz disse que brigou com a namorada, que pediu que ele não fosse à festa em Prado, na Bahia."

A TV Vitória tentou entrar em contato com Paulo Oliveira, pai de Amanda, que preferiu não comentar o assunto no momento em que atendeu o telefone. Já no caso de Marllonn, a mãe, Margareth Amaral, passou o celular para uma amiga, pois não estava em condições de falar. Outros familiares afirmaram que iriam esperar o resultado da perícia para definir a situação dos velórios.

A maior parte dos familiares recebeu a notícia do encontro dos corpos na Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de São Mateus. Eles ainda aguardavam a identificação dos corpos no Instituto Médico-Legal (IML) de Teixeira de Freitas./ COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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