Após 30 anos, asfalto chegará à Cunha-Paraty

Projeto já tem aprovação do Ibama e deve ter licitação liberada depois das[br]eleições; parte da verba virá de compensação pela usina nuclear de Angra 3

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2010 | 00h00

Depois de uma disputa judicial que já dura 30 anos, o trecho fluminense da Rodovia Paraty-Cunha, parte da Estrada Real, será pavimentado, seguindo o conceito de estrada-parque. O projeto de engenharia, que já tem licenciamento prévio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), está passando pelos últimos ajustes.

"Estamos transformando o projeto de pavimentação de uma rodovia em um projeto de estrada-parque. Fotografamos as principais áreas de travessia de animais, para fazer as zoopassagens, e estamos concluindo o levantamento arqueológico", explicou o subsecretário de Urbanismo, da Secretaria de Estado de Obras do Rio de Janeiro, Vicente Loureiro.

A estrada pode servir como alternativa para esvaziar a região em caso de um acidente nuclear. Atualmente, a Cunha-Paraty é muito usada por turistas paulistas para encurtar o caminho entre a Rodovia Presidente Dutra e Paraty, no litoral sul fluminense. No entanto, a situação desfavorável da estrada, por causa das chuvas, resultou na queda de 70% no movimento de turistas em Cunha em 2009.

Investimentos. Dos R$ 66 milhões necessários para pavimentar os 9,4 quilômetros da Paraty-Cunha, cerca de R$ 50 milhões serão bancados pela Eletronuclear, como parte da compensação ambiental pela construção da usina nuclear de Angra 3.O Ministério do Turismo e o governo fluminense entram com o restante da verba.

A obra também encareceu por causa das fortes chuvas que atingiram a região, sobretudo no fim de 2009. "Perdemos o projeto de engenharia que tínhamos por causa do temporal. Tivemos de projetar seis novos viadutos, o que não existe em Visconde de Mauá", explicou Loureiro.

A Paraty-Cunha corta o Parque Nacional da Serra da Bocaina. Há uma pressão antiga dos moradores de Paraty pela pavimentação da via, mas o Ibama não permitia a obra por causa do impacto ambiental. "Com esse novo projeto de estrada-parque, conseguimos derrubar uma ação de interdito proibitório, impetrada há 30 anos", explicou Loureiro.

Após a conclusão dos ajustes no projeto, a secretaria vai licitar a obra. O acordo com a Eletronuclear só poderá ser firmado depois das eleições, conforme determina a lei eleitoral.

História. O trajeto da atual estrada Paraty-Cunha é usado pelo menos desde o século 17. Na época da colonização, o trecho da Estrada Real conhecido hoje como Caminho Velho era usado para levar escravos e trazer ouro da então Vila Rica (atual Ouro Preto), em Minas Gerais. Mas no século seguinte a via era considerada vulnerável a ataques. Foi criado então o Caminho Novo, que saía do centro da cidade do Rio.

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