Após 3 anos, Largo da Batata segue sem árvores

Jabuticabeiras plantadas em 2010 para compensar retirada de 80 árvores morreram; Prefeitura promete concluir plantio até agosto

BÁRBARA FERREIRA SANTOS, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2013 | 02h07

Já se passaram três anos desde que a Prefeitura começou a replantar jabuticabeiras para compensar a retirada de 80 árvores do Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste, mas as mudas não vingaram. As árvores na esplanada não chegam a um metro e morrem, segundo comerciantes da região. As plantas que conseguiram crescer estão secas, quebradas e tortas.

Os comerciantes da região reclamam que não é feita a manutenção das mudas. "A Prefeitura planta, tira o mato, mas não retorna e não coloca água", afirma Dalva Souza, de 58 anos. Almir Lima, de 52 anos, diz que nesse período já foram feitos quatro replantios. "Por incrível que pareça, as mudas do canteiro central foram as últimas a serem plantadas e as únicas que cresceram. Eles plantam quando não tem chuva e não jogam água. Como querem que vingue?" Lima explica que as mudas são arrancadas por vândalos à noite. "Quem trabalha aqui é que, de manhã, firma as árvores de volta."

Segundo a aposentada Clarice Guardato, de 89 anos, que mora em Pinheiros e todo dia anda no Largo da Batata, a degradação do local impede o crescimento das mudas. "O pessoal urina nas árvores, não tem jeito. As plantas que conseguem sobreviver são as mais antigas, plantadas antes da obra."

O replantio das árvores será concluído até agosto deste ano, segundo a São Paulo Obras (SPObras), que administra as obras de ampliação do Largo - desde 2007 em execução. "Todas as mudas que morreram serão substituídas e outras ainda serão plantadas." O órgão afirma que existe a proposta de aumentar o número de árvores, mas não soube especificar quantas mudas serão replantadas.

No entanto, os moradores dizem que o plantio não está sendo feito da forma correta e o tipo de árvore colocada no local não é adequado ao solo da região. "Eles fazem um buraco raso para plantar a muda, nunca vi plantarem desse jeito", diz Edilson Batista Ferreira, de 37 anos. "Há mais de um ano está assim. Não sei por que plantar, se não cuidam", conta Maria Alice Silva, de 63 anos.

A SPObras afirma que no local serão colocadas árvores nativas, mas as espécies "só serão instaladas depois de uma avaliação dos botânicos e técnicos sobre o solo e as características do local para ver quais plantas são as mais adequadas". A empresa também afirma que a manutenção das mudas de plantas é diária.

Erro. Segundo o ambientalista Carlos Bocuhy, a morte constante das plantas aponta uma falha técnica no projeto de execução da compensação ambiental. "É inadmissível que um replantio projetado por um especialista não tenha dado certo."

Bocuhy explica que a fase posterior ao plantio deve ser de cuidados frequentes. "Tem de ter um acompanhamento técnico, para manter a planta em pé, trocar a muda se necessário e fazer a manutenção."

Para ele, esse tipo de compensação ambiental é "ilusório". "Isso faz sentido no papel, mas na prática não há acompanhamento para ver se aquilo realmente levou à compensação. É uma medida ainda proposta de forma inadequada em São Paulo." "Não adianta retirar uma espécie adulta e colocar dez mudas que não vingam."

O ambientalista Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, explica que um dos principais problemas é a compra de apenas um tipo de árvore. "A arborização urbana em São Paulo é complicada. A região do Largo da Batata merece um projeto paisagístico complexo, com diversos tipos de espécies. Não adianta economizar na obra, tem de escolher mais de um tipo de muda, considerando sombra e floreio."

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