JB Neto/AE
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Após 22 assaltos no ano, mercados recorrem à polícia

Ocorrências na Grande SP tiveram como alvos joalherias e caixas eletrônicos; associação de lojas quer patrulhamento mais atento

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

A onda de roubos a supermercados da capital e Grande São Paulo está assustando a Associação Paulista de Supermercados (Apas), que decidiu pedir ajuda à Secretaria da Segurança Pública. O clima de medo se instalou na entidade principalmente após o registro de crimes quando as lojas ainda estavam abertas.

Os alvos, na maioria das vezes, são televisores de última geração caixas eletrônicos e joalherias - também assaltadas com frequência em shoppings.

Nos últimos 15 dias, houve seis ataques a grandes redes de supermercados - em cinco deles, a loja estava aberta. No mais recente, um comerciante foi sequestrado na garagem de uma unidade da rede Mambo, no Morumbi, zona sul, na noite de sexta-feira. Levantamento da reportagem mostra que, desde janeiro, ocorreram 22 assaltos.

Em um deles, dois homens entraram armados no Carrefour Limão, na zona norte, para roubar uma joalheria. Era fim da manhã de sábado, dia 6, e o estabelecimento estava em pleno funcionamento. Os ladrões renderam funcionários e levaram relógios.

Em outro ataque, uma mulher levou um tiro no rosto disparado por assaltantes em fuga após roubo ao Extra da Rodovia Raposo Tavares, na madrugada do dia 1º.

Orlando Morando, vice-presidente da Apas e deputado estadual pelo PSDB, afirmou que pretende falar com o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, e fazer um apelo para que haja mais empenho no patrulhamento perto de supermercados. "Houve uma migração para joalherias e supermercados. Com isso, as redes vão ter de aumentar a segurança também."

No dia a dia, funcionários têm trabalhado com medo. "Os bandidos encostam caminhões e entram para levar tudo de valor que estiver na frente", contou um repositor que pediu para não ter o nome divulgado.

O clima de medo afeta até clientes. A aposentada Elizabete Santos, de 67 anos, tem evitado ir a mercados quando anoitece. "Antes era gostoso fazer compras com calma."

Estratégias. O Grupo Pão de Açúcar informou que não comenta sobre segurança. O Carrefour disse que dispõe de empresa de vigilância contratada regulamentada pela Polícia Federal, além de sistemas eletrônicos de monitoramento. A rede Wal-Mart não respondeu se a segurança seria alterada. A Secretaria da Segurança não informou o número de casos e prisões no ano. Reportagens publicadas no site do governo indicam dez casos em que houve prisão.

3 PERGUNTAS PARA...

José Vicente da Silva

ESPECIALISTA EM SEGURANÇA

1.Os roubos a supermercados são feitos por quadrilhas organizadas?

No meio de 98% de ladrões tem uma porcentagem de criminosos articulados que arrumam um grupo para roubar. Esses grupos são relativamente ou temporariamente estruturados, não tem relação direta com crime organizado.

2. Por que esses estabelecimentos viraram alvos?

O que acontece é que isso faz parte de um dinamismo criminal. Na medida que vai ficando difícil para eles (criminosos), os ladrões vão para outros locais.

3. O senhor é a favor de que a equipe de segurança de supermercados seja reforçada?Não. O melhor sistema é investir em câmeras de segurança. Outra possibilidade é que as imagens, durante o assalto, sejam enviadas para uma central da Polícia Militar, isso só durante a ocorrência. Ou outra possibilidade são câmeras que disparem alarmes com dados de placas de carros com irregularidades.

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