Corpo de Bombeiros/Divulgação
Corpo de Bombeiros/Divulgação

Após 192 horas, fogo é extinto em Santos

Trata-se do incêndio de maior duração no Estado, de acordo com os bombeiros; empresa teve as atividades embargadas pela prefeitura

Luiz Alexandre Souza Ventura, Especial para o Estado

09 Abril 2015 | 12h52

Atualizada às 20h30

SANTOS - Na manhã desta quinta-feira, 9, 192 horas depois do começo do incêndio no pátio da Ultracargo/Tequimar, em Santos, litoral sul de São Paulo, as chamas que atingiam o topo de um tanque com gasolina foram extintas. A área continua em situação de alerta. À noite, a empresa teve as atividades embargadas pela prefeitura. Trata-se do incêndio de maior duração no Estado.

“Embora o fogo tenha sido extinto, o líquido armazenado nas bacias de contenção no entorno do cilindro emite gás, que entra em combustão espontânea, provocada pela alta temperatura. Por isso, as equipes mantêm a estratégia de resfriamento da área, ao mesmo tempo em que tentam conter vazamentos nas válvulas do sistema de transbordo do combustível”, explicou a tenente Cíntia Oliveira.

Cada tonel atingido pelo fogo tem capacidade para armazenar 6 milhões de litros. “Ainda há aproximadamente dois terços do combustível naquele tanque”, disse a tenente.

Estradas. A operação montada nas rodovias da região para controlar o acesso de caminhões à margem direita do Porto de Santos está mantida. A determinação é do gabinete de crise formado na cidade, com participação de representantes dos governos municipal, estadual e federal. Só após o fim dos trabalhos dos bombeiros o tráfego de veículos voltará ao normal.

“Nós sabemos do impacto dessa operação para a nossa região, para as empresas e para o porto, mas a prioridade é a mobilidade do cidadão santista, o direito de ir e vir. O acúmulo de caminhões certamente iria parar por completo a região central da cidade. É também uma questão de segurança”, afirmou o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). 

Barbosa tem repetido o argumento diariamente, além de cobrar do governo federal agilidade no andamento das obras na entrada do município. “Essas obras preveem a duplicação do Viaduto da Alemoa e a construção de novos viadutos, que garantiriam essa mobilidade. Esperamos que seja possível avançar na discussão, porque falamos do maior porto da América Latina, que é estratégico para o desenvolvimento do País. É muito importante que medidas sejam tomadas, que saiam do papel, para não termos de enfrentar momentos como este”, afirmou o prefeito, em referência aos transtornos causados pelo incêndio no cais.

O principal acesso ao Porto de Santos, o Viaduto Paulo Bonavides, está interrompido desde o dia 2. Durante o feriado, o tráfego de caminhões foi desviado para o centro da cidade, mas, na noite de domingo, este movimento também foi proibido para os veículos pesados - com exceção de perecíveis e medicamentos. 

Impactos. Com o trabalho dos bombeiros caminhando para o fim, já se analisam impactos ambientais e financeiros. Conforme avaliação do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), a estimativa é de R$ 6 milhões em prejuízos, considerando apenas os custos de estadia dos navios na Barra de Santos. Isso porque ao menos dez embarcações foram impedidas de atracar no cais santista, por medida de segurança.

A quantidade de peixes mortos retirada do estuário já ultrapassa 8 toneladas. Para o biólogo marinho e diretor-presidente do Instituto EcoFaxina, William Rodriguez Schepis, que trabalha desde 2008 na região do estuário, a recuperação das áreas atingidas pela água contaminada será muito lenta.

Investigações. O Ministério Público Estadual (MPE) estabeleceu um prazo de dez dias para a Ultracargo apresentar explicações sobre as causas do incêndio, e a Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades. Os promotores de meio ambiente planejam cobrar indenização pelos danos ambientais. Já a prefeitura formou uma comissão para colaborar nas investigações.

Até esta quinta, nenhum porta-voz da Ultracargo havia vindo a público para falar sobre as causas do acidente. A empresa também não se manifestou sobre o embargo municipal. O incêndio no complexo industrial da Alemoa começou às 10 horas do dia 2, após uma explosão. No total, seis tanques com álcool e gasolina foram atingidos. No pátio, a Ultracargo mantém 58 tonéis, cada um com 6 milhões de litros de combustíveis e produtos químicos.

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