Após 15 anos, SP terá mais 1.200 táxis

Novos alvarás serão sorteados pela Loteria Federal; governo alega que cidade precisa ter mais veículos, considerando a Copa de 2014

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2011 | 00h00

Após 15 anos, a Prefeitura de São Paulo vai emitir 1.200 novos alvarás de táxis. A emissão das licenças será feita por meio de sorteios da Loteria Federal. A autorização foi publicada ontem pelo prefeito Gilberto Kassab (sem partido) no Diário Oficial da Cidade. A última emissão de alvarás para taxistas na capital ocorreu em 1996.

Um dos argumentos do governo municipal para a medida é a previsão de crescimento no número de turistas que circula na cidade por causa da Copa do Mundo de 2014. A frota paulistana, hoje de 32.607 táxis, vai crescer 3,68% com as licenças.

O prefeito não detalhou como será a distribuição dos veículos por pontos e nos bairros. No decreto Kassab também informa que foram feitos estudos no Departamento de Transportes Públicos (DTP) que apontaram a necessidade de ampliar a frota de táxis.

Na capital, a espera por um táxi chega a ser superior a uma hora em locais como o Aeroporto de Congonhas e nas saídas das baladas da Vila Madalena e da Vila Olímpia. A falta de taxistas pode ser observada nos últimos shows realizados no Morumbi, na zona sul, por exemplo. Como era quase impossível encontrar um veículo vazio, alguns deles passaram a cobrar preços fechados de até R$ 300 para corridas de 15 quilômetros.

Demanda. A média na capital é de um táxi para cada 344 habitantes, enquanto no Rio de Janeiro a média é de um para cada 198 habitantes. Mas, para taxistas ouvidos pela reportagem, o problema não é a demanda alta - o número de usuários de táxis cresceu 20% nos últimos três anos, segundo balanço de cooperativas da categoria.

"Falta táxi no ponto porque os carros ficam presos no trânsito. A mobilidade nossa aqui é muito ruim. Se faço uma corrida até a zona leste, por exemplo, só vou voltar para o ponto depois de duas horas", afirma Roberto Antonio Chagas, de 61 anos, taxista na Freguesia do Ó. Com 32 anos de "praça", Chagas reconhece, porém, que a realização da Copa do Mundo deve aumentar o trabalho da categoria. "Mas jogar agora mais de mil carros novos na rua é exagero. Só falta táxi nos Jardins e na Avenida Paulista, porque nos bairros o que falta são os clientes", acrescenta.

Taxista no ponto em frente ao Shopping Metrô Santa Cruz, na Vila Mariana, zona sul, Elias Rodrigues de Oliveira, de 42 anos, confirma que houve aumento de usuários nos últimos anos. "Aqui eu tenho cliente o dia todo. Poderia ganhar melhor e atender muito mais gente, mas o trânsito não deixa. Às vezes o passageiro até desiste no meio da corrida e pede para descer quando o trânsito da Rua Vergueiro para", conta o taxista, há 14 anos no mesmo ponto.

Outra dificuldade na capital é encontrar os táxis na versão luxo, cuja bandeirada é até 50% mais cara. São 140 carros distribuídos no ponto de Congonhas e em outros nove hotéis - caso, por exemplo, do Renaissance, na Alameda Santos. Kassab não divulgou se, entre os 1.200 novos alvarás, haverá licenças para os modelos de luxo. O decreto também não define o número de novos veículos que vão para o ponto do Aeroporto de Congonhas, um dos principais da capital.

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