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Após 14 mortes, polícia caça 'serial killer' de cães e gatos em São Carlos

Dois dos cachorros foram assassinados de forma cruel, amarrados aos trilhos para serem atropelados por trens; outro foi jogado do alto de um prédio

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2017 | 11h47
Atualizado 09 Fevereiro 2017 | 15h25

SOROCABA - A Polícia Civil e a Guarda Civil Municipal (GCM) estão à caça de um matador de cachorros em São Carlos, no interior de São Paulo. Em duas semanas, o "serial killer" de animais teria dado fim a 11 cães domésticos e três gatos na cidade de 244 mil habitantes.

Dois cães foram mortos de forma cruel, amarrados aos trilhos da linha férrea para serem atropelados pelos trens. Outro foi jogado do alto de um prédio. Nos últimos dias, começaram a aparecer também gatos mortos. Postagens em redes sociais pedem à população que denunciem os suspeitos.

O Departamento de Proteção Animal da prefeitura já recebeu mais de 100 denúncias e as mais consistentes foram repassadas à Polícia Civil. 

"Estamos diante de pessoas que não têm o menor respeito pela vida e, se fazem isso com animais de estimação, também podem fazer com pessoas. O histórico de alguns serial killers famosos mostra que eles começaram matando bichos", disse o veterinário Guilherme Marrara, diretor da repartição.

Ele conta que a série de mortes começou com um cão sendo lançado do alto de um prédio abandonado, frequentado por moradores de rua. Imagens de uma câmera gravaram a queda do animal. Dias depois, foram encontrados os cães destroçados na linha do trem. Na sequência, uma moradora achou três cachorros mortos dentro de sacos de lixo no Jardim Paulista.

A ativista Sisi Vanelli Viale, que encontrou os sacos, disse que não é a primeira vez que observa cachorros mortos jogados no local. "Para mim, é gente que está fazendo maldade com os cachorros."

Na terça-feira, 7, dois cães morreram envenenados, na Vila Brasília. Outros três tinham sido mortos em circunstâncias parecidas no bairro Santa Angelina. Nesta quarta-feira, 8, moradores da Vila Costa do Sol denunciaram a morte do gato "Paçoquinha".

"Não sabe como dói meu coração. Era o primeiro gatinho da família. Por que fizeram isso com ele?", disse chorando, em vídeo, uma adolescente com necessidades especiais, identificada como Karla.

Antes, tinham sido envenenadas a gata "Marie" e outra gata sem nome. 

De acordo com Marrara, a GCM designou dois guardas para acompanhar os casos e identificar os suspeitos.

"Eles ouviram vizinhos, supostos envolvidos e a Polícia Civil está dando sequência à apuração. Tudo indica que não há um único matador. Algumas pessoas podem estar se aproveitando da situação para resolver problemas com vizinhos, envolvendo os animais."

Dupla amiga. A técnica em enfermagem Fátima Oliveira foi uma das vítimas do matador de cães em São Carlos. Defensora de animais, ela cuidava de nove cães recolhidos nas ruas e tinha especial carinho pela dupla "Lobinho" e "Peludinho", que tinham sido dados à adoção por sofrerem maus-tratos.

Fátima contou que os dois tinham sido tratados, castrados e vacinados e se tornaram muito amigos. "Eles costumavam sair juntos para dar uma voltinha no bairro (Jardim Fagá), que é bem sossegado. Naquele dia, os dois saíram como de costume, mas começaram a demorar", lembrou. "Senti um aperto no coração e fui atrás."

Mal saiu à rua, Fátima viu "Peludinho" correndo, assustado, sem o companheiro. "Procurei pelo bairro e logo fui avisado que ele ('Lobinho') estava passando mal na outra rua. Quando cheguei, não dava para fazer nada, tinha comido alguma coisa com veneno."

Logo, ela soube que outros dois cães tinham sido envenenados na mesma região. Agora, teme pela vida dos outros. "Como são cães criados na rua, eles precisam sair para passear, mas fico com muito medo, acompanhando do portão. O 'Lobinho' foi muito feliz aqui em casa."

Campanha. Nas redes sociais, o apelo contra os crimes já tem mais de 11 mil seguidores: "São Carlos Alerta! Eles não podem se defender, vamos lutar por eles. Denuncie! Matar animais é crime".

A Lei Federal 9.605/78 prevê detenção de três meses a um ano, mais multa, a quem fere, mutila ou maltrata animais domésticos.

"É uma lei muito branda, com a pena geralmente convertida em cestas básicas. Não desencoraja esse tipo de crime", avaliou Marrara.

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