Após 14 anos de polêmica, Trecho Norte do Rodoanel ganha sinal verde

O Trecho Norte do Rodoanel ganhou ontem sinal verde da autoridade ambiental do Estado. Depois de questionamentos que atrasaram sua construção por 14 anos, a rodovia de 44 quilômetros de extensão - que atravessará a região da Serra da Cantareira e passará por São Paulo, Arujá e Guarulhos - já pode ser licitada pelo governo. As obras devem começar neste ano.

Paulo Saldaña e Renato Machado, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

O Conselho do Meio Ambiente (Consema) aprovou ontem parecer da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) sobre estudo e relatório de impacto ambiental (EIA/Rima) do trajeto. Em reunião marcada por tumulto e protestos de manifestantes, 23 conselheiros votaram a favor e 7, contra.

A decisão de ontem garante a Licença Ambiental Prévia da obra, que terá sete túneis e mais de 20 viadutos. Com ela, a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) - responsável pelo empreendimento - pode publicar edital, fazer sondagens de campo e cadastrar famílias e donos de imóveis que serão diretamente impactados.

O parecer aprovado faz 119 recomendações à Dersa para que a instalação definitiva da obra seja concedida. Apresenta duas alterações em relação ao que a empresa vinha trabalhando, incluindo a interligação com a Avenida Inajar de Sousa, na zona norte de São Paulo - a Dersa havia retirado o trevo, a pedido da Prefeitura da capital. Além disso, foi aprovada a manutenção da pista ao sul do bairro Bimbo, em Guarulhos. Um desvio ao norte do bairro havia sido proposto pela prefeitura de Guarulhos. Apesar de constar no licenciamento, ficou definido que novos estudos serão realizados para definir melhores alternativas.

A reunião foi várias vezes interrompida por moradores da região afetada, ambientalistas e representantes de entidades civis. Cerca de 50 pessoas foram impedidas de entrar por falta de espaço. Ontem, a principal reivindicação era em relação aos prazos de agendamento da reunião. A convocação só ocorreu no dia 21 e o parecer foi colocado na internet no dia 22, véspera de Corpus Christi. "Com o feriado, só houve um dia para análise de um estudo imenso e complexo. É humanamente impossível que conselheiros tenham tido tempo de analisá-lo", diz o ambientalista Carlos Bocuhy, que pediu adiamento da reunião - o que foi negado. "Foi um cheque em branco, uma aprovação política."

Críticos da obra também pediram adiamento da votação, mas não foram atendidos.

Regra. O presidente do Consema e secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB), garantiu que tudo foi feito de acordo com o regimento do conselho, que pede 48 horas de antecedência para a reunião. "O prazo foi bem superior. Não tenho nenhum constrangimento, estamos tranquilos."

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