Após 11 anos, Pimenta Neves é preso #2

Após quase 11 anos do crime, o Supremo Tribunal Federal determinou ontem que o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, de 74 anos, comece a cumprir a pena de 15 anos de reclusão a que foi condenado. Ele foi preso em casa, na Chácara Santo Antônio, zona sul de São Paulo, às 20 horas.

Mariângela Gallucci, Marcelo Godoy, Renato Machado, Bruno Paes Manso e Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2011 | 00h00

Assassino confesso da ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide, ele só havia ficado detido entre setembro de 2000 e março de 2001. Depois disso, manteve-se em liberdade graças a ações judiciais. Ontem, os ministros da 2.ª Turma do STF concluíram que as possibilidades de recurso acabaram e o réu terá de cumprir a condenação pelo homicídio, cometido em 20 de agosto de 2000, em um haras na cidade de Ibiúna (SP).

Na época do crime, o casal havia rompido um relacionamento de quase três anos. Pimenta Neves foi diretor de redação do Estado e Sandra Gomide trabalhou como repórter e editora de Economia. Sandra morreu ao ser atingida por dois tiros, um na cabeça e outro nas costas.

A polícia chegou ontem à residência de Pimenta Neves, na zona sul, às 18h30. Uma hora depois, ele chamou os policiais para uma conversa no interior da casa. Por lei, um mandado de captura não pode ser cumprido depois das 18h. Às 20 h, ele trancou a residência e seguiu com os policiais - ele deveria ser encaminhado ao 2.º DP (Bom Retiro, na região central de São Paulo). "Não fui surpreendido pela decisão", afirmou o jornalista, na saída. "Ele está debilitado e é hipertenso. Trata-se de situação difícil para as duas famílias (da vítima e da dele)", completou Itagiba Francês, um dos defensores. A expectativa da defesa é que Pimenta possa progredir para o regime semiaberto depois de 1 ano e 8 meses preso.

O advogado da família de Sandra, Sergei Cobra Arbex, elogiou a decisão. "É um exemplo emblemático e pedagógico de que o Judiciário está melhorando."

Sem explicação. "É chegado o momento de cumprir a pena", afirmou o ministro Celso de Mello, relator do caso, durante o julgamento no STF. "É um fato que se arrasta desde 2000 e é chegado o momento de se pôr termo a este longo itinerário já percorrido. Realmente esgotaram-se todos os meios recursais."

A ministra Ellen Gracie, que participa de encontros internacionais de Justiça, ressaltou no julgamento que o caso é um dos mais difíceis de serem explicados fora do País. Foi dela a sugestão para que o STF determinasse ao juiz de Ibiúna a imediata execução da pena. "Como justificar que, em um delito cometido em 2000, até hoje não cumpre pena o acusado?"

Celso de Mello ressaltou que a defesa do jornalista se valeu de todos os recursos possíveis para contestar a condenação. Para outros ministros, a quantidade de recursos de Pimenta Neves foi exagerada. O ministro Gilmar Mendes ressaltou que o caso foi "emblemático".

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