Após 10 dias, prédio da TAM ainda cheira a queimado

O estadao.com.br entra no edifício e conta como está o prédio que foi palco da maior tragédia aérea do País

Paulo Toledo Piza, do estadao.com.br,

26 de julho de 2007 | 16h32

O cheiro de queimado ainda é forte no prédio da TAM Express. Esta é a primeira impressão que se tem ao entrar nas ruínas do edifício que fora atingido, no último dia 17, por um Airbus A320 da mesma companhia.    Veja também  Imagens do edifício Por dentro do prédio da TAM Bombeiros resgataram 10 pessoas com vida do prédio da TAM  Na manhã desta quinta-feira, 26, a Secretaria de Segurança Pública liberou à imprensa o acesso ao local onde pelo menos 199 pessoas morreram no maior desastre aéreo do País. E a reportagem do estadao.com.br esteve lá. Instável, o prédio de dois andares teve apenas o térreo e a garagem liberados. Na entrada, um rombo na parede de concreto evidencia o exato local onde ocorreu o choque do avião. Andando com dificuldade em um terreno instável, entre traiçoeiros cacos de vidro e pedaços de madeira encharcada, a reportagem se deparou com um amplo salão onde telas de computador e caixas de papelão intactas jaziam em meio a muita água. Essa água, resultado do trabalho árduo dos bombeiros durante o combate ao incêndio, era barrenta e escondia pedaços da parede e do teto da TAM Express.  Após atravessar uma passagem "alagada", entra-se em uma sala bem conservada. Por ter sido o local menos atingido pelo fogo - acredita-se que quem estivesse lá não teve dificuldades em sair -, há diversos móveis e cômodos preservados. Um exemplo disso são os guichês da empresa aérea, que, com imagens de aeronaves - uma delas, ironicamente, um Airbus -, dão a impressão de que, ao menos naquela parte, o prédio está somente em reforma. Lá, divisórias, cadeiras, uma empilhadeira e até vasos com plantas permanecem intactos. Saindo de lá, chega-se a um corredor onde um simpático avião sorridente pintado na parede indica a área onde antes eram preenchidos os formulários de despacho. Após esse corredor, chega-se a um patamar que leva à garagem. Não tão atingido, o subsolo do edifício, no momento do acidente, estava lotado de carros. "Nenhum veículo foi danificado. Tiramos esses carros nos dias após o acidente", afirmou o capitão Valdir Pavão, um dos responsáveis pelas buscas. Próximo à escada que leva aos andares superiores fica a saída da garagem, que leva aos fundos da TAM Express. Lá fora, tem-se uma assustadora noção do que ocorreu. No lado esquerdo do edifício, nota-se a ausência de janelas e alguns danos à estrutura e à pintura, que está chamuscada. Já no lado direito, dos três andares (o térreo e os dois pisos superiores), sobrou apenas o térreo. Os demais patamares desabaram. "Encontramos ali oito corpos inteiros, sete no segundo patamar e um no primeiro", disse Pavão. No topo da pilha de escombros, havia no momento alguns bombeiros trabalhando na retirada de blocos de concreto.  Bombeiros "Nosso trabalho aqui deve terminar entre hoje (26) e amanhã. Ontem retiramos os últimos dois sacos com mortos, e não deve haver mais mortos nos escombros", disse o porta-voz do Corpo de Bombeiros, capitão Mauro Lopes. Segundo ele, foi realizada na quarta-feira uma varredura com bombeiros e cães farejadores em busca de mais corpos. Encontraram a parte que faltava da cabine. "Estava entre duas vigas. Encontramos aparelhos da cabine e objetos pessoais, além de pedaços de corpos." De acordo com o capitão, a corporação enviou ao Instituto Médico Legal (IML), além dos corpos, 220 sacolas com "registros". Para conseguir terminar as buscas em dez dias, os bombeiros fizeram uma verdadeira operação de guerra. Nos piores momentos, principalmente nos dois primeiros dias, quando o fogo tomava conta da TAM Express, cerca de 230 profissionais trabalharam ao mesmo tempo no local. Entre os triunfos da operação, o salvamento de vidas. "Conseguimos retirar 14 pessoas com vida do prédio. Destas, infelizmente quatro chegaram com óbito ao hospital", afirmou o capitão Lopes. Ele também citou a eficiência no trabalho de remoção de entulho para a busca das vítimas. "Revezamos ora máquina ora bombeiros durante as buscas", disse. E acrescentou: "Mesmo com tanto serviço em uma área de risco, nenhum bombeiro se feriu". Sobre o número de trabalhadores da TAM que estariam dentro do prédio no momento do acidente, Lopes não soube precisar um número. "Acredito que tinha em torno de 40 a 50 pessoas, mas não dá para dar um número", afirmou. Colapso O capitão Lopes acrescentou que o prédio está em colapso. "É evidente que a estrutura não agüenta muito", disse. Ele acrescentou que, após o final do trabalho dos bombeiros, a corporação manterá uma guarnição "para auxiliar o trabalho da perícia, da investigação". A TAM Express voltará para a companhia aérea assim que o Ministério Público liberar o local. Após isso, a TAM deverá contratar uma empresa demolidora que irá derrubar o edifício.

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